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Presidente Dilma durante o anúncio do novo ministério: cortes de despesas e pessoas. | Divulgação
Presidente Dilma durante o anúncio do novo ministério: cortes de despesas e pessoas.| Foto: Divulgação

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (2) o corte de oito ministérios e a redução em 10% do salário dos ministros. Dessa forma, 275 dias após ter sido eleita, a presidente muda toda a configuração do governo na tentativa de melhorar sua governabilidade e evitar a abertura de um processo de impeachment contra seu mandado.

“Os governos de coalizão, como é o caso do meu e de todos os governos depois da democratização, precisam de apoio no Congresso. Nós vivemos em uma democracia e temos que dialogar com o Congresso eleito pelo povo em favor da população”, disse Dilma, admitindo que a reforma faz parte de uma estratégia para a aprovação de medidas econômicas no Legislativo que, segundo ela, vão ajudar o Brasil a sair da crise. “Nós precisamos colocar os interesses do país acima dos interesses partidários. Quero agradecer a disposição dos partidos e parlamentares nessa direção”, completou.

A presidente anunciou ainda a criação de uma Comissão Permanente para a Reforma do Estado, que terá como objetivo “reorganizar a administração federal” e fiscalizar o cumprimento das metas propostas pelo governo. Apesar de ter prometido, inicialmente, acabar com pelo menos dez ministérios, somente oito pastas foram cortadas na Esplanada.

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A presidente suprimiu ainda 3 mil cargos comissionados e 30 secretarias ministeriais, fundindo algumas delas nos chamados “superministérios”, como o da Previdência Social e Trabalho, que ficará sob o comando de Miguel Rossetto (PT). Para ela, a fusão dessas pastas tem o objetivo de “fortalecer e dar maior eficiência e foco às políticas públicas”.

Dilma também anunciou a redução de 20% nos gastos de custeio e contratação de serviços nos ministérios, além da criação de metas para a redução nas contas de água e energia e nas despesas com telefone e passagens aéreas. “Isso vai contribuir para que o país saia mais rapidamente da crise e vai ajudar as medidas de reequilíbrio fiscal e controle da inflação, além de consolidar a estabilidade macroeconômica, aumentando a confiança na economia”, disse a presidente.

‘Superministérios’

Os superministérios terão ainda uma espécie de “vice-ministros”, responsáveis, cada um deles, pelas subdivisões ministeriais. No caso de Previdência Social e Trabalho, comandado por Rossetto, Carlos Gabas (PT) ocupará a subpasta da Previdência, enquanto José Lopez Feijó, hoje assessor especial da Presidência, ficará à frente do Trabalho.

Foi durante a madrugada de sexta que o governo fechou o nome para comandar o superministério que unirá as secretarias das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, que ficou com Nilma Lino (PT).

Na tarde de quinta (1º), após reuniões com o vice-presidente Michel Temer e com o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), Dilma fez uma última concessão ao partido aliado e aceitou os nomes dos deputados Marcelo Castro (PMDB-PI) para a Saúde e Celso Pansera (PMDB-RJ) para a Ciência e Tecnologia.

Na nova configuração, o PMDB passou de seis para sete ministérios no governo. Os outros peemedebistas da Esplanada serão: Eliseu Padilha (Aviação Civil), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Helder Barbalho (Portos).

Foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem aconselhou a presidente a tirar espaço do PT e dar mais uma pasta ao PMDB, na tentativa de remontar sua base no Congresso.

Novidades

As duas principais novidades são a troca de Aloizio Mercadante na Casa Civil por Jaques Wagner (Defesa) e a demissão do petista Arthur Chioro (Saúde) para abrir espaço para um deputado peemedebista na pasta que estava sob o comando do PT. As duas mudanças foram sugeridas por Lula, que nesta quinta reuniu-se com Dilma em Brasília.

O ex-presidente sai fortalecido com a reforma, com três nomes de sua confiança no Palácio do Planalto: Jaques Wagner, Ricardo Berzoini, que assumirá a Secretaria de Governo, e Edinho Silva (Comunicação Social). Já Aldo Rebelo (PC do B) irá para a Defesa no lugar de Wagner.

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