Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Defesa

Dilma decide rever toda a decisão sobre a compra de caças

Nelson Jobim: recuo, mas sem voltar à estaca zero | Leslie E. Kossoff / AFP
Nelson Jobim: recuo, mas sem voltar à estaca zero (Foto: Leslie E. Kossoff / AFP)

Brasília - Tratado como urgente e questão definida no final do governo Lula, a compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) entrou em compasso de espera no governo Dilma Rousseff. A presidente não está tratando o assunto como prioritário. Nas conversas que manteve com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ainda antes de assumir o Planalto, avisou que queria conhecer melhor as propostas e analisar as ofertas. Ainda não teve tempo de se debruçar sobre o assunto porque outros problemas, como a tragédia das chuvas no Rio de Janeiro, atropelaram a agenda de Dilma.

"Não vamos começar da estaca zero porque senão seria começar o processo todo de novo e não é isso", declarou ontem Jobim, insistindo que a intenção do governo é tomar uma decisão sobre este tema em seis meses.

Todo o processo elaborado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva considerava o modelo francês Rafale o preferido pelo Brasil. Primeiro porque foi estabelecida uma parceria estratégica com a França de Nicolas Sarkozy. Segundo, pelo fator transferência de tecnologia, considerado fundamental pela Estratégia Nacional de Defesa.

Os demais modelos que participam a disputa, o norte-americano F-18 e o sueco Gripen NG, têm problemas com transferência de tecnologia. Embora os governos dos dois países avalizem a transferência, o governo brasileiro sabe que o Congresso dos Estados Unidos, que costuma atuar de acordo com seus interesses momentâneos, tem poder de veto neste tema.

A presidente Dilma já tem em mãos o relatório preparado pelo Ministério da Defesa que aponta o Rafale como o único modelo capaz de seguir efetivamente as regras estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa. A prioridade é a transferência de tecnologia. Durante o processo de escolha, a FAB manifestou preferência pelo Gripen, sob a alegação de que o projeto poderia ser desenvolvido conjuntamente e elaborou o seu relatório pontuando o modelo sueco como o número um.

A indefinição sobre uma possível data para a escolha do caça gerou uma grande insatisfação entre os concorrentes que começam a se movimentar novamente querendo mostrar que, passados seis meses das propostas finais apresentadas, têm mais ofertas a apresentar.

Depois de escolhido o modelo do negócio, estimado em até R$ 10 bilhões para 36 aviões, ainda será necessário pelo menos mais um ano para que as condições financeiras do contrato sejam fechadas.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.