
Em dezembro de 2009, a jornalista Cristina Chacel foi recebida em Brasília pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela estava escrevendo um livro sobre o desaparecido político Carlos Alberto Soares de Freitas e, depois de descobrir que ele havia sido uma espécie de tutor ideológico da ministra, quando ela ingressou na Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop), pediu a entrevista.
Dilma, que àquela altura já preparava o lançamento oficial da candidatura à Presidência, deu um depoimento de uma hora e meia, durante o qual cantarolou algumas das músicas preferidas de Freitas, e até chorou. Uma parte desse depoimento acaba de chegar às livrarias, no livro, finalmente concluído, Seu Amigo Esteve Aqui, da editora Zahar. É sobretudo uma homenagem a Freitas também chamado de Beto, entre amigos e familiares, e Breno, codinome na clandestinidade.
Ele foi um dos fundadores da Polop. Passou pela VAR-Palmares e, mais tarde, organizou o Comando de Libertação Nacional (Colina). Foi visto pela última vez no Rio, em 15 de fevereiro de 1971. Segundo relato de um militar, foi executado com um tiro na cabeça, após passar dois meses detido na Casa da Morte centro clandestino de tortura mantido pela ditadura em Petrópolis, no Rio.
Dilma aproximou-se da Polop em 1965, aos 17 anos e ainda matriculada no Colégio Estadual Central de Belo Horizonte. Para ser aceita na organização, teve de passar por um cursinho básico sobre o pensamento da esquerda, sob a orientação de Beto. Foi o início de uma convivência intensa e arriscada, que durou até 1970, quando a futura presidente caiu presa em São Paulo. Ela acompanhou Beto na VAR-Palmares e no Colina.
Os dois estavam juntos no célebre assalto ao cofre que o ex-governador paulista Adhemar de Barros mantinha na mansão de sua amante, no Rio. O objetivo dos assaltos era financiar focos de guerrilha e instituir o socialismo no país.



