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Justiça

Dirigentes pedem punição de crimes políticos

Os presidentes estaduais do PT e do PPS devem se juntar para cobrar julgamento de casos de assassinatos a políticos ligados aos dois partidos no Paraná. O assassinato do presidente do diretório municipal do PCdoB de Reserva, Nelson Vosniak, no domingo, fez com que André Vargas, do PT, e Rubens Bueno, do PPS, relembrassem outros crimes no estado que podem ter motivação política e que não tiveram julgamentos concluídos.

O dirigente estadual do PPS entregará, na segunda-feira, ao procurador-geral de Justiça interino, Luis Eduardo Rocaglio, um relatório com os crimes cometidos contra políticos do PPS desde 2000 e que não foram solucionados. O presidente do diretório estadual do PT, André Vargas, pretende se juntar a Bueno nesta visita. "Podemos criar uma frente de partidos para que alguma atitude seja tomada em relação a esses processos.", diz Vargas.

É o caso da morte do economista Miguel Donha, assassinado em 22 de janeiro de 2000. Presidente do PPS de Almirante Tamandaré, Donha era pré-candidato a prefeito nas eleições daquele ano. O assassino confesso, Edson Faria, chegou a ser preso, mas fugiu. O caso continua parado, na Justiça e no Ministério Público.

O PPS ainda teve mais dois dirigentes mortos. O vice-prefeito de Mariluz, Ayres Domingues e o presidente do diretório municipal, Carlos Alberto de Carvalho, foram assassinados no início de 2001. O ex-secretário de Ação Social de Mariluz, Élcio Farias foi julgado um ano depois, acusado de participar do atentado contra os dois líderes do PPS, mas o julgamento foi anulado. "Essas vítimas são lideranças novas de partidos políticos mais avançados que acabam atingindo pessoas e grupos que estão há muito tempo mandando na cidade", diz Rubens Bueno. Ele diz que a morte de Nelson é mais uma prova de que a violência no Paraná vem crescendo por causa da certeza da impunidade. "Inacreditável que o Paraná continue sendo palco de gangsterismo político, com tantos crimes que permanecem impunes", disse Bueno.

Sem testemunhas

Em 2002, o presidente do PT de Imbituva, Oscar Fachin, foi morto com três tiros, em frente ao portão de sua casa. A direção estadual do partido acredita que o crime possa estar ligado a denúncias que ele vinha fazendo sobre questões trabalhistas em madeireiras da região. Ele era técnico em segurança no trabalho e criticava falta de segurança para os empregados das madeireiras. Fachin estava sozinho na hora do assassinato e não houve testemunhas.

André Vargas acredita que se fosse um integrante de partido de esquerda que estivesse envolvido no assassinato de um político dos partidos da elite dessas cidades, o andamento dos processos seria mais rápido "Essas pessoas da elite têm influência política e os processos andam bem devagar", diz Vargas.

Para Bueno, o atraso no andamento dos processos incentiva a continuidade do coronelismo nessas pequenas cidades do estado. "Para o bem das instituições, é importante que a bandidagem engravatada, assim como seus capangas, sinta que o Poder Judiciário tem força", diz.

Em liberdade

Outro caso que pode ter conotação política no Paraná é do deputado estadual Tiago Amorim Novaes (PTB), morto em dezembro de 2001 em Cascavel. Ele foi morto a tiros dentro do carro que dirigia, em frente da casa onde morava. Três suspeitos estão presos, mas nenhum deles está com o julgamento marcado. O policial civil João Adão Sampaio Schisler, apontado pela investigação e denunciado pelo Ministério Público como mandante do crime, chegou a ser preso, mas conseguiu um habeas-corpus.

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