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Política partidária

Dividido, PT vai decidir em abril se apoia Fruet

5,5 mil filiados elegerão em março 300 delegados que escolherão, logo depois, se o partido terá ou não candidatura própria em Curitiba

Paulo Bernardo e Gustavo Fruet: ala majoritária quer apoiar o ex-deputado federal já no primeiro turno. Mas disputa interna no PT pela coligação pode ser apertada | Antônio Costa/ Gazeta do Povo
Paulo Bernardo e Gustavo Fruet: ala majoritária quer apoiar o ex-deputado federal já no primeiro turno. Mas disputa interna no PT pela coligação pode ser apertada (Foto: Antônio Costa/ Gazeta do Povo)

Os militantes do PT de Curitiba serão convocados a comparecer às urnas no dia 15 de abril para escolher se lançam uma candidatura própria à prefeitura ou se apoiam Gustavo Fruet (PDT) já no primeiro turno. Os 5,5 mil filiados elegerão 300 delegados, que participarão do encontro decisivo para definir o apoio a Fruet, que acontecerá nos dias 27 e 28 de abril. As datas foram definidas ontem à noite em uma reunião da Executiva do partido.

A partir de agora, os dois grupos do PT que defendem teses opostas terão de montar suas chapas de delegados. De um lado, a ala majoritária, liderada pelos ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) quer o apoio a Fruet. Os defensores de candidatura própria devem se unir num primeiro momento. Caso ven­­çam a disputa, terão de escolher um candidato. Os nomes mais cotados são os do deputado federal Dr. Rosinha e do deputado estadual Tadeu Veneri. O deputado federal Angelo Vanhoni, que é da ala majoritária e está cotado para ser vice de Fruet, também poderia aparecer como alternativa caso a aliança com o PDT não se concretize.

Embora o grupo de Gleisi e Paulo Bernardo seja majoritário hoje no partido, a expectativa é de uma disputa acirrada. Na última eleição para a prefeitura de Curitiba, Gleisi derrotou Veneri na disputa interna por uma diferença pequena, com 53% dos votos contra 44%.

Dr. Rosinha aposta mesmo numa disputa entre os dois lados. Segundo ele, a decisão dependerá de qual lado conseguir mobilizar mais militantes. Embora tenha 5,5 mil filiados em Curitiba, apenas 1,5 mil costumam comparecer às urnas para votar nas prévias petistas.

Pelo regimento do partido, qualquer coligação em que o PT abra mão da cabeça de chapa precisa ser aprovada pelos filiados. No caso de Curitiba, as duas alas precisarão inscrever suas chapas de delegados até 30 de março. O número de delegados que cada chapa conseguirá levar ao encontro decisivo dependerá da quantidade de votos que receber.

Atraso

Veneri diz que o processo está atrasado em Curitiba. Como comparação, ele afirma que na maior parte das capitais a escolha dos candidatos do PT já foi feita. "Decidir logo seria bom nos dois casos. Se tivermos candidatura própria, precisamos nos organizar, fazer alianças. Se formos apoiar outro partido, até para o outro candidato é bom saber o que esperar de nós", afirma.

Roseli Isidoro, presidente municipal do partido e integrante da corrente majoritária, diz que o importante é destacar que, independentemente da decisão tomada, o partido não vai rachar. "Tenho certeza de que os defensores da tese que for derrotada no outro dia estarão fazendo campanha junto com quem sair vencedor do processo."

Apesar disso, a cisão no partido ficou mais clara nesta semana, depois que a vice-presidente municipal do partido, Mírian Gonçalves, integrante histórica da legenda, renunciou ao cargo por não concordar com a maneira como o processo está sendo conduzido. Ninguém sabe ainda quem assumirá a direção do PT da cidade, já que Roseli Isidoro pretende se afastar para ser candidata a vereadora.

Possível aliança com Kassab também racha o partido em São Paulo

Das agências

A divisão interna do PT não ocorre apenas em Curitiba. Em São Paulo, o partido já tem um candidato à prefeitura, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad. Mas a sigla também está rachada diante da possibilidade de receber o apoio do PSD do prefeito paulistano, Gilberto Kassab.

Ontem, a senadora Marta Suplicy (PT-SP), que comanda uma ala importante do PT na capital paulista, comentou seu desconforto diante da possibilidade de subir num mesmo palanque que Kassab. "Eu tenho o direito de não mergulhar de cabeça [na campanha de Had­­dad] e aguardar a decisão do meu partido sobre a aliança. Preciso ser muito cuidadosa, porque senão corro o risco de acordar num palanque de mãos dadas com Kassab", disse Marta durante reunião da executiva nacional do PT, em Brasília. "Estou vendo um esforço grande para a coligação [do PT com o PSB], mas isso me parece muito complicado."

A proposta de aliança, feita por Kassab, divide os petistas. Se for levada adiante pelo PSD, deve ser aprovada pelo diretório municipal do PT, apesar das resistências. O argumento é que todo o sacrifício deve ser feito para conquistar a prefeitura de São Paulo.

Ex-secretário de Marta quando ela foi prefeita, o novo líder do PT na Câmara Federal, o paulista Jilmar Tatto, discordou da avaliação da senadora. "Se o Kassab fizer uma autocrítica, não vejo problema na aliança. Acho um pressuposto muito ruim a ideia de recusar apoio", afirmou. Tatto pediu "muita paciência" ao PT, disse que nada está fechado e defendeu ainda uma parceria com o PMDB para vice na chapa liderada por Haddad. Hoje, o pré-candidato do PMDB à sucessão de Kassab é o deputado Gabriel Chalita.

Ao lado de Tatto, o deputado paranaense André Vargas foi na mesma linha. "É isso mesmo. Em Curitiba, nós fazemos aliança com Fruet e, em São Paulo, vocês aceitam Kassab", afirmou Vargas.

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