
O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, só aguarda que o ex- presidente Lula marque a data do encontro pedido para depois do carnaval para comunicar-lhe, pessoalmente, que não está disponível para vice na chapa de Dilma Rousseff e que é irreversível o desejo do partido de lançá-lo candidato a presidente já em 2014. Recentemente, o PSB e o próprio Campos mostraram irritação com notícias de que Lula estaria articulando tirar o PMDB de Michel Temer da chapa de Dilma para dar a vice ao governador, impedindo sua candidatura em 2014.
De olho na disputa presidencial, Campos passou a ser uma figura mais presente nas polêmicas da política nacional nas últimas semanas. Nos próximos meses, a meta é se tornar conhecido nacionalmente. Para isso, ele cumprirá neste ano uma extensa agenda de viagens por todo o país.
A estreia de sua caravana pelos estados será em um evento no dia 9 de abril, quando pretende falar para cerca de 5 mil empresários em Porto Alegre (RS). Nessa palestra, tratará dos problemas da política econômica do governo Dilma e apontará caminhos, tudo que o empresariado nacional quer ouvir. A nomes do Instituto Empresarial Michel Gralhas, vai falar da necessidade de investimentos para frear a queda da economia e fazer outras análises que inevitavelmente vão tocar nos pontos fracos da criticada política econômica do atual governo.
"Mas ele vai fazer de uma forma cuidadosa, apontando caminhos, de forma propositiva, para evitar agudizar o conflito. Eduardo é um aliado que tem coragem de dizer com franqueza o que está errado quando algo não vai bem, apontando soluções, que é o que a oposição não faz", afirmou um aliado do governador.
Antes do evento em Porto Alegre, Eduardo Campos irá a dois estados do Nordeste e a outro do Centro-Oeste para receber homenagens e aproveitar para participar de eventos partidários. Dilma, que também está acelerando seu palanque, estararia ao lado de Campos no dia 18 para a inauguração de uma adutora que levará água do Rio São Francisco para o sertão do Pajeú. Porém, ontem, ela cancelou a viagem devido a uma fissura no pé.
Base
Sobre a disposição já anunciada de Campos de continuar na base do governo oficialmente em 2013, no comando de dois ministérios, a estratégia é não tocar no assunto. Mas, se houver uma cobrança de apoio em 2014 para que continuem nas mãos do PSB os ministérios da Integração Nacional, com Fernando Bezerra Coelho, e dos Portos, com Leônidas Cristino, o partido dirá à presidente Dilma que fique à vontade para fazer as substituições necessárias na reforma prevista para março. "Não tratamos deste assunto em nenhum momento. Nem internamente nem nas conversas com a presidenta", disse Eduardo Campos.



