
Conhecido como o operador do mensalão no governo federal e do mensalão tucano em Minas Gerais, o publicitário Marcos Valério é citado em um vídeo sobre o esquema de corrupção no Distrito Federal que já foi batizado de mensalão do DEM, esquema em que o governador do DF, o democrata José Roberto Arruda, é investigado por suspeita de caixa dois e pagamento de propina para deputados distritais. Apesar disso, o vídeo trataria de uma suposta fraude realizada não pela atual administração distrital, mas pelo governo anterior, do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), antigo aliado de Arruda e que hoje é adversário político dele.Gravação veiculada pelo site da revista Veja mostra o deputado distrital Benício Tavares (PMDB) admitindo ter fraudado uma licitação, quando era presidente da Câmara Legislativa de Brasília, em favor da agência publicitária SMP&B, de Marcos Valério. No vídeo, ele diz, ao ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa, ter agido a pedido do ex-governador Roriz. Durval é o denunciante do esquema do mensalão do DEM "Vou te contar em detalhes, porque a Eliana (a deputada distrital Eliana Pedrosa) brigou comigo. Tínhamos acertado duas agências, e uma delas era dela, não sei se era dela, de alguém dela (um aliado). Só que o Roriz me chamou (...) para colocar aquela agência SMP&B", diz Benício no vídeo. Durval, então, pergunta quem era da agência. E Benício responde: "Não chegamos nem a conhecer aquele Marcos Valério, conhecemos aquele outro sócio, era o Cristiano Paes".
Na gravação, Benício reclama de problemas políticos com o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), ex-secretário distrital de Transportes. Ele reclama das dificuldades no relacionamento político com o ex-secretário que naquele momento estava no cargo e pede a ajuda de Durval. E ainda cita o atual governador José Roberto Arruda ao comentar uma reunião na qual se discutiu a lei que beneficiava os deficientes físicos, como ele.Benício foi presidente da Câmara Distrital entre 2003 e 2004, e os relatórios do Tribunal de Contas do DF registram um contrato de R$ 7,94 milhões, referente a 2004 e que foi assinado em 2003. Há ainda um contrato com vigência em 2005, no valor de R$ 1,3 milhão. Procurado pela reportagem, o assessor de Benício disse que desconhece o vídeo, mas confirmou a existência de contratos com a SMP&B.



