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Ação

Escândalo na Assembleia reacende movimento estudantil

Indignação leva estudantes a deixarem as salas de aula para promover uma série de manifestações em várias cidades do estado

Em maio, estudantes foram para a rua fazer a manifestação do movimento que ficou conhecido como caça-fantasmas em Curitiba | Arquivo/Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Em maio, estudantes foram para a rua fazer a manifestação do movimento que ficou conhecido como caça-fantasmas em Curitiba (Foto: Arquivo/Jonathan Campos/Gazeta do Povo)
Para Igor Borck, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Maringá, os escândalos na Assembléia fortaleceram o grupo |

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Para Igor Borck, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Maringá, os escândalos na Assembléia fortaleceram o grupo

Certa vez, o general Douglas MacArthur - considerado um dos maiores comandantes da história dos Estados Unidos - disse que a juventude não é um período da vida, mas um estado de espírito. "Jovem é o que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida. As provocações o galvanizam, os fracassos o tornam mais determinado, as vitórias o fazem melhor". A frase ilustra bem a juventude integrante do movimento estudantil, classe que contribuiu em alguns momentos históricos do país e que voltou à cena nas últimas semanas cobrando transparência por parte dos deputados estaduais.

Desde de que foram denunciadas as irregularidades cometidas na Assembleia Legislativa do Paraná, estudantes deixaram as salas de aula para promover uma série de manifestações em várias cidades do estado. Um dos participantes é o presidente da União da Juventude Socialista (UJS) de Maringá, Igor Borck, 21. Para ele, o episódio fortaleceu o grupo. "O movimento dos estudantes sempre continuou organizado, principalmente nas universidades públicas. No entanto, faltava uma bandeira de luta que unificasse as associações, coisa que não acontecia desde a ameaça da venda da Copel", destacou o acadêmico de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Mas o que motiva um jovem a deixar de lado a indiferença e se mobilizar politicamente? Para o secretário geral da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Camilo Vanni, 22, a resposta para esta questão está na indignação e na vontade de mudar. "Ao acompanhar essa roubalheira deslavada, o jovem se deu conta que se ninguém fizer nada de diferente, a situação vai continuar do jeito que está. Em situações como essa, o movimento estudantil acaba se articulando", afirmou Vanni, que é universitário do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Na opinião do presidente da União Londrinense dos Estudantes (Ules), André Fabio Lopes, 20, o movimento estudantil juntamente com outras entidades assumiu a indignação que percorre todo o estado diante dos escândalos de funcionários fantasmas e desvios de dinheiro por funcionários da Assembleia. "Estamos cobrando a representatividade verdadeira dos deputados, que nós, incluindo os estudantes, ajudamos a eleger. Acredito que toda esta ação é um pontapé inicial no nosso papel de mostrar que 'ficha suja' não pode se eleger", afirmou Lopes, que na última quarta-feira participou do "Movimento Caça-Fantasmas", uma série de manifestações que reuniu entidades estudantis e sindicatos em vários municípios (Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu, Irati, Campo Mourão, Guarapuava e Curitiba), pedindo o afastamento do deputado Nelson Justus (DEM) da presidência da "Casa de Leis".

Para o historiador da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Reginaldo Dias, a participação dos estudantes tem poder para afetar o rumo das denúncias no caso da Assembleia. "Esta série de ações pode influenciar tanto a percepção dos deputados, que devem saber que não receberam um cheque em branco da população, quanto a opinião pública em geral. Pode ser a centelha a incendiar a fogueira da indignação e da ira dos justos", afirmou Dias, que é autor do livro "Uma universidade de ponta-cabeça", que aborda a luta dos estudantes pela democratização da UEM.

A chama que nunca apagou

Para Dias, por mais que o movimento estudantil não esteja em evidência na maior parte do tempo, ele nunca deixou de ser combativo. "Há, sim, uma relação das manifestações públicas com situações de crise política e institucional, como na época do impeachment do presidente Collor ou mesmo na crise do período da ditadura. Mas isso não significa que o movimento deixe de existir ou ter importância em conjunturas diferentes. Em outras épocas, o movimento atua, persegue pautas importantes, obtém conquistas, mas nem sempre tem a mesma visibilidade".

O presidente da Ules segue a mesma opinião do historiador da UEM: "Comparam muito o atual movimento estudantil com o de outras épocas. Acredito que não perdemos o interesse, mas sim temos outras formas de nos organizar", explicou André Lopes. Já para o historiador da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Rafael Hagemeyer, a participação da mídia no caso da Assembleia foi de extrema importância. "Hoje o movimento estudantil tem formas de comunicação muito mais ágeis e baratas, como blogs, comunidades no Orkut, lista de e-mails. Mas essa facilidade de acesso, por outro lado, também gera uma certa acomodação dos "consumidores culturais", conectados em suas casas. Se os escândalos não fossem revelados pela grande imprensa, não haveria clima para mobilizações", afirmou Hagemeyer, que viveu no Paraná até 2007 e participou da obra "1968 faz 30 anos", que aborda o movimento estudantil.

Na opinião de Camilo Vanni, ocorreu um pequeno retrocesso nos movimentos sociais nos últimos oito anos. "Até 2002 acredito que houve uma grande mobilização contra a política neo-liberal. Depois disso, não tivemos muitas mobilizações grandes, mas sim manifestações mais pontuais, sem diálogo com a grande população. No entanto, essa situação na Assembleia Legislativa conseguiu reunir os movimentos para fazer política, ou seja, reivindicar, fazer relação social. É uma luta que uniu o Paraná", avalia o secretário geral da UPE.

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