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Deputados da base de Lula também pediram apuração da denúncia de caixa 2 envolvendo o tucano Paulo Preto. | Sérgio Lima / Folhapress
Deputados da base de Lula também pediram apuração da denúncia de caixa 2 envolvendo o tucano Paulo Preto.| Foto: Sérgio Lima / Folhapress

Acusações não devem surtir o efeito desejado

O cientista político Octaciano Nogueira, professor da Universidade de Brasília (UnB), diz que as denúncias relacionadas a fatos antigos, feitas pelo PT e PSDB nestes últimos dias da campanha eleitoral, não deve surtir o feito desejado pelas legendas.

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  • Entenda os principais pontos das denúncias do PT e PSDB

A poucos dias do segundo turno, PT e PSDB parecem estar deixando cada vez mais de lado a discussão de propostas para intensificar a estratégia de desconstrução da imagem do adversário. Depois de trocarem acusações nos debates, no horário político e pela imprensa, as duas legendas estenderam nesta semana a guerra de denúncias ao Ministério Público Federal (MPF). E esse embate jurídico, travado em torno de alguns assuntos "velhos", deve se intensificar na avaliação de pessoas envolvidas nas campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Na segunda-feira, um grupo de parlamentares de oposição, liderado pelos paranaenses Gustavo Fruet e Alvaro Dias, ambos do PSDB, formalizaram pedidos para que o MPF investigue as novas denúncias, publicadas pela revista Época, de tráfico de influência, formação de quadrilha, concussão e prevaricação envolvendo pes­­soas ligadas à candidatura de Dilma. As representações também foram assinadas pelo líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA) e pelo líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC).

A ação tem como alvo Valter Luiz Cardeal, presidente do Conselho de Administração da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), ligado politicamente a Dilma, ex-ministra de Minas e Energia no governo Lula. De acordo com a reportagem da revista, uma empresa subordinada à Eletrobras teria sido usada para a concessão de garantias de empréstimo externo a uma companhia privada de forma fraudulenta.

"As ligações do Cardeal com a Dilma são antigas, por isso a oposição pede que se faça uma investigação criteriosa. Como que desaparece 157 milhões de euros [cerca de R$ 366 milhões] assim impunemente? Trata-se de uma fraude espetaculosa, que tem relação direta com o atual governo", afirmou Alvaro, líder em exercício do PSDB no Senado. "Não há nada irregular. Nós confiamos no Cardeal, por isso não criamos nenhum problema para se investigar. Bem diferente dos tucanos", retrucou o deputado federal paranaense André Vargas, que integra a executiva nacional do PT.

Ontem foi a vez de os partidos aliados ao governo Lula contra-atacarem, recorrendo ao mesmo expediente dos adversários. Deputados da situação protocolaram, também no MPF, um pedido de abertura de investigação contra o presidenciável tucano José Serra e Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), empresa ligada ao governo paulista.

Os parlamentares da base alegam irregularidades na execução de obras na administração tucana de São Paulo. As denúncias recaem especificamente sobre a construção do Rodoanel e a expansão das linhas de metrô – Serra chefiou o Palácio dos Bandeirantes até o fim de março, antes de se desincompatibilizar para concorrer à Presidência. Já em relação a Preto, a suspeita, levantada pela revista IstoÉ, é de que o ex-diretor da Dersa teria desviado R$ 4 milhões arrecadados para um suposto caixa 2 da campanha de Serra – o que ele nega que tenha ocorrido.

"É um fato concreto. Ele [Paulo Souza] é réu confesso. Confessou que usou dinheiro para fechar negócios e fazer obras", disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi ao MPF em Brasília acompanhado dos colegas de bancada Fernando Ferro (PE), Marco Maia (RS) e Virgílio Guimarães (MG). "Nós apanhamos quieto no primeiro turno, agora não vamos mais. Não vão nos tirar uma eleição na mão grande, com baixaria", emendou André Vargas.

O tucano Alvaro Dias questiona a veracidade das denúncias. "É lamentável que, no final da campanha, apareçam coisas como essas. [As denúncias] não são fatos novos. Por que os petistas não reclamaram no momento das obras? Também não há conhecimento nenhum dentro do partido de qualquer desvio. Se algum tucano denunciou [o Paulo Preto], por que não aparece? Isso me parece muito mais um factoide justamente para se contrapor às acusações de desvio de dinheiro do setor público", rebateu o senador, para quem a enxurrada de denúncias tende a aumentar quando "o jogo fica nervoso". "Aí, tudo é possível".

Na sequência, fechando o pacote de acusações do dia, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, pediu que o Ministério Público Federal se empenhe em investigar, além de Serra e Paulo Preto, o senador eleito Aloysio Nunes (PSDB), também envolvido na denúncia de caixa 2 na campanha tucana para o Palácio do Planalto.

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