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Votar foi desafio para deficientes

Em Curitiba, cadeirantes e pessoas da terceira idade enfrentaram as dificuldades de acesso às urnas, mas não desistiram de dar o voto

Lilian Sawada chegou às 11h30 no Colégio Rosário, mas só conseguiu votar às 15 h, depois de ser levada por seis homens à sala de cotação no terceiro andar | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Lilian Sawada chegou às 11h30 no Colégio Rosário, mas só conseguiu votar às 15 h, depois de ser levada por seis homens à sala de cotação no terceiro andar (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

Na eleição com número recorde de votantes em toda a história do Brasil, totalizando 135,8 milhões de eleitores, a presença de cada cidadão nas urnas fez a diferença. Entre os participantes do pleito havia pessoas com necessidades especiais e idosos. Mas a questão da deficiência ficou marcada negativamente em muitos locais de votação. Em Curitiba, no Colégio Rosário, no bairro Bacacheri, alguns eleitores enfrentaram mais do que filas ou trânsito para votar. Para chegar até a urna, deficientes físicos precisavam encarar até seis lances de escada nos três andares da escola.

Lilian Aparecida Sawada, 53 anos, representante comercial, chegou ao colégio por volta das 11h30 da manhã e foi informada de que sua seção ficava no terceiro andar. Para votar, ela deveria conseguir ajuda para levar a cadeira de rodas ou justificar o voto e tentar, para a próxima eleição, a mudança da zo­­na no Tribunal Regional Elei­toral (TRE-PR).

Segundo Lilian, no dia 28 de abril deste ano ela foi até o TRE para pedir a transferência do seu local de votação justamente porque o colégio em que votava anteriormente não tinha acessibilidade para pessoas com deficiência física. "Tive um problema de saúde e minha perna foi amputada. Eles viram minha situação, consultaram um lugar melhor e me mandaram para cá, porém, no terceiro andar", contou.

A cadeirante conseguiu, com muita insistência, votar por volta das 15 h, mas com a ajuda de Policiais Militares acionados por ela mesma. Seis homens a levaram até a sala de votação e, apesar de constrangida com o tumulto, ela ainda brincou que para a próxima eleição iria emagrecer.

Além de Lilian, outras pessoas com deficiência tiveram grande dificuldade para votar. Grande parte delas, de acordo com Lilian, que até fotografou e conversou com todos, a maioria justificou. Como ela, o enfermeiro Ângelo Roberto Massuchetto, 51 anos, conseguiu com a ajuda de sua mulher.

Justificativa

Segundo Sonia Soares, técnica judiciária da 3.ª Zona Eleitoral, consta no sistema apenas que Lilian pediu a transferência para outro local, mas não por motivos especiais. Ela orientou que eleitores com deficiência física devem procurar o TRE para solicitar a mudança para outra seção com acesso a partir do dia 11 de novembro. De qualquer maneira, no colégio apenas uma seção eleitoral ficava no térreo do prédio.

Terceira idade

O aposentado Luís Gastão, 80 anos, decidiu votar mesmo sem ser obrigatório. Ele conta que teve de deixar o país em 1964 após o golpe militar. Gastão era engenheiro no estado e não concordava com a Ditadura. Foi "convidado" a se retirar do país e passou quase 30 anos no Iraque. Desde que voltou não perde uma eleição.

A dona de casa Rosemari Munhoz, 62 anos, fez questão de levar a mãe para votar. Maria Silva tem 82 anos e sempre participou das eleições. "Faço isso pelo futuro dos meus filhos, netos e bisnetos. O meu engajamento pode ajudar a definir o futuro deles". Elas votaram no Colégio Estadual Leôncio Correia, no bairro Bacacheri, maior local de votação de Curitiba, com 9 mil eleitores.

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