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Análise

Eleição deve seguir descolada do mensalão no 2º turno

Para especialistas, eleitor está mais preocupado com propostas e soluções para a cidade do que com o julgamento que ocorre no STF

O julgamento da ação penal do chamado mensalão entra na fase final às vésperas do segundo turno da eleição municipal, mas, assim como na primeira rodada, o impacto nas urnas deve ser limitado, com eleitores mais preocupados na solução de problemas locais e deixando em segundo plano as implicações do caso.

O Supremo Tribunal Federal (STF) selou na semana passada a condenação por corrupção ativa do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares por envolvimento no esquema de compra de apoio parlamentar ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O julgamento da antiga cúpula petista foi iniciado na semana anterior ao primeiro turno da eleição municipal, e o impacto nas urnas foi pequeno, na opinião de analistas, apesar da grande exposição na mídia e do uso do caso por alguns candidatos.

"A despeito da propaganda massiva e do destaque nos noticiários, o impacto não foi visto. Houve certo distanciamento dos eleitores da questão. (O julgamento) não foi variável determinante", diz o professor de ciência política do Ibmec Belo Horizonte Oswaldo Dehon.

O pleito municipal é visto com certo descolamento da política nacional. Os eleitores estão mais preocupados com as soluções de problemas próximos, como transporte, educação e saúde, sem grande influência de questões consideradas distantes, como o julgamento do mensalão.

Eleitores tendem, também, a votar em perfis conhecidos e não em partidos, o que reduz ainda mais o possível efeito do julgamento no voto municipal.

"O eleitor está querendo soluções para suas regiões, seus bairros, suas cidades. O eleitor não vota em partido, vota em pessoas e perfis", afirma o professor da Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato.

"O efeito eleitoral (do julgamento) é muito pequeno. Na hora H, isso não funciona, mas não quer dizer que não seja importante", disse.

Após a confirmação da condenação da antiga cúpula petista na semana seguinte ao primeiro turno, em que ministros do STF classificaram o esquema de "golpe" e de "assalto aos cofres públicos", a oposição passou a contar com mais munição ainda.

Em São Paulo, por exemplo, assim que os candidatos do segundo turno foram definidos, Serra deu o tom da campanha. O tucano prometeu tratar de "valores" que, segundo ele, andavam fora de moda, mas estavam sendo resgatados pelos magistrados do STF.

A ex-cúpula petista será julgada ainda por formação de quadrilha, o último item a ser analisado, o que deve ocorrer antes do segundo turno que será realizado em 28 de outubro.

O marqueteiro da campanha vitoriosa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, Duda Mendonça, também ainda será julgado pelos ministros do Supremo.

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