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desenvolvimento econômico

O que os olhos não veem o bolso não sente

Campos Gerais tem várias atrações turísticas pouco conhecidas. Se fossem melhor exploradas, poderiam gerar renda à região

 | Brunno Covello / Gazeta do Povo
(Foto: Brunno Covello / Gazeta do Povo)

Aos 37 anos, Alessom Fernando Batista Ribeiro, o Coelho, é um empreendedor. Nos últimos 14 anos, ele saiu da função de repositor em um supermercado de Tibagi para ser proprietário da Fazenda Vale dos Pássaros. O local tem capacidade de atender a 15 pessoas para fazer cavalgadas e 30 para rapel. Também oferece 25 trilhas e quatro cachoeiras – a principal delas o Salto Puxa-Nervos, com uma queda d´água de 45 metros. Robeiro podia se contentar com isso, mas sabe que o turismo nos Campos Gerais pode crescer muito mais. "Quanto mais abrirem opções, mas o turista vai ficar [na região]. Mas falta interesse", lamenta.

>> Veja as propostas do candidatos ao governo do Paraná para os Campos Gerais

VÍDEO: "Tapete verde sobre mesa de pedra", sobre a formação geológica dos Campos Gerais, produzido pelo departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

Tibagi foi um importante centro minerador nos séculos 18 e 19 para exploração de ouro e diamantes. O município ainda tem o cânion do Guartelá (o maior do Brasil e 6.º do mundo), o Salto Santa Rosa e uma série de outros atrativos ainda não explorados. Coelho mostra um: a Casa de Pedra, uma formação de arenito com três ‘ambientes’, onde foram encontrados artefatos indígenas e fósseis de animais. "Eu imagino os índios usando esse salão para cerimônias religiosas", fala o empresário. O local fica numa propriedade rural acessível por uma estrada ruim e estreita e não está aberto para visitação. Uma pena.

Sobram locais a serem explorados pela indústria do turismo. Mas falta articulação. O gerente da Guartelá Ecoturismo, Guilherme Nocera, atendeu no início de junho um casal de Londrina em lua de mel. "Eles queriam conhecer Castro, Carambeí e Ponta Grossa. Não achei ninguém para atendê-los [nessas cidades]."

Thiago Lacz Kowski, de 26 anos, e a namorada Sibele Ribas, de 37, foram ao Parque Estadual do Guartelá junto com um casal de amigos em um domingo de junho. Adoraram o local, mas sentiram falta de uma estrutura melhor. "Tinha que ter uma lanchonete pelo menos. Temos de ir até Castro para comer alguma coisa", reclama Sibele. "Era necessário ter alguém da prefeitura [de Tibagi] no parque para informar sobre os outros atrativos da cidade", sugere Coelho.

Desde 2007, foi criada por empresários a Rota dos Tropeiros, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) para organizar o turismo em 16 cidades da região. Mesmo assim, há espaço para melhorar. O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, é o segundo mais visitado do Paraná, atrás apenas das cataratas do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz. Cerca de 60 mil em 2012 foram ver a curiosa formação dos arenitos. Outras 20 mil foram ao Guartelá, terceiro parque mais visitado. Os Campos Gerais reúnem, portanto, dois dos principais atrativos do estado e a integração desses parques poderia ter reflexos em toda a cadeia turística. "De modo geral, não existe um plano persistente e contínuo no turismo. Trocas de governo causam interrupções e mudanças de projetos e essa descontinuidade é o maior problema", opina Gil Piekarz, geólogo da Mineropar e especialista em geoturismo.

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