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Saúde pública

Hospitais não concluídos e com problemas opõem Requião e Richa

População convive com unidade inexistente, outra fechada há mais de 4 anos e algumas com deficiências estruturais

Wilde José Lemes no hospital de Telêmaco que nunca funcionou: atendimento em outro local | Josué Teixeira/ Gazeta do Povo
Wilde José Lemes no hospital de Telêmaco que nunca funcionou: atendimento em outro local (Foto: Josué Teixeira/ Gazeta do Povo)

A construção e o funcionamento de hospitais públicos do Paraná são temas recorrentes nesta eleição. Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (PMDB), candidatos ao governo do estado, citam dados divergentes sobre o assunto. Em meio à polêmica, levantamento da Gazeta do Povo mostra que Requião não "construiu 13 hospitais do zero" ao longo das ­duas passagens como governador (2003-2010), ao contrário do que tem divulgado. Por outro lado, parte dos hospitais está inoperante e/ou trabalha abaixo da capacidade máxima durante a gestão Richa.

INFOGRÁFICO: Veja a situação dos hospitais construídos na gestão anterior

Na lista de 13 hospitais construídos divulgada por Requião consta uma unidade que não existe, outra inoperante até hoje, três municipais que o governo esta­dual da época ajudou com empréstimos e duas novas alas em espaços médicos que já existiam. Apenas seis hospitais foram realmente erguidos da estaca zero.

A situação mais emblemática é o Hospital Regional de Quedas do Iguaçu, na cidade de mesmo nome, na Região Oeste. De acordo com a prefeitura, o Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde do Paraná (SindSaúde) e a Secretaria de Estado da Saúde, apesar da promessa, a obra nunca começou. Para piorar, o terreno onde seria a unidade, doado pelo órgão municipal, está invadido. Telêmaco Borba é outro exemplo de cidade sem o hospital prometido por Requião. Apesar de o prédio existir desde 2010, a unidade regional ainda não abriu as portas.

O senador também contabiliza duas alas como hospitais construídos. Em Londrina, Requião inaugurou o Centro de Tratamento de Queimados em 2007, ala que faz parte do Hospital Universitário. Em Paranavaí, o chamado Hospital Regional do Noroeste na verdade é um espaço que permitiu ampliar o número de leitos da Santa Casa.

Outros três hospitais que estão na conta do candidato do PMDB também não podem levar a insígnia de "100% governo estadual". As unidades municipais, inclusive no nome, de Foz do Iguaçu, Araucária e Paranaguá receberam ajuda financeira para construção e compra de equipamentos. Na época, Requião destinou R$ 13,9 milhões para as obras e R$ 8,2 milhões para equipar as unidades.

Com problemas

Segundo análise do SindSaúde realizada em 2011, os seis hospitais realmente construídos na era Requião apontavam algum tipo de problema estrutural e/ou dificuldade administrativa após a inauguração. "A iniciativa de construir foi importante. Mas as estruturas não receberam a atenção e fiscalização que deveriam, além da falta de adequação sanitária. Também faltou planejamento posterior a inauguração para saber quantos trabalhadores seriam necessários e qual o custo de funcionamento", afirma Elaine Rodella, diretora de formação política sindical do SindSaúde.

No Hospital Regional de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a obra foi executada de tal forma que as ­duas máquinas de autoclave – responsáveis pela esterilização – não funcionam até hoje porque o piso não suporta o peso.

Outro lado

Procurado pela reportagem, Requião, por meio de nota, afirmou que a sua administração viabilizou uma estrutura de hospitais nunca vista na história do Paraná. O senador ainda afirma que todas as obras atenderam às normas técnicas vigentes, segundo exigências de entidades como Crea e Vigilância Sanitária. O político admite que alguns problemas de projeto foram observados em sete dos 44 hospitais – além da lista de 13 construí­dos, Requião ampliou e/ou reformou 31 unidades.

"Alguns erros foram prontamente corrigidos, outros só foram observados após o fim do nosso mandato. Pouco se comparado ao volume total das obras. No entanto, nenhum dos problemas justifica qualquer tipo de paralisação ou limitação de uso dos hospitais", ressalta a nota.

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