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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (20) que, pela vontade dele, não disputará novamente as eleições presidenciais em 2018 porque acredita já ter cumprido sua "missão".

Mas, em entrevista à Rádio Jornal do Commercio, do Recife, afirmou não descartar a possibilidade, a depender do cenário político daqui a quatro anos. "Se depender de mim, não [serei candidato]", afirmou. "Quando chegar na eleição de 2018, estarei com 72 anos. Nós temos que ter [isso] em conta."

Lula disse esperar o surgimento de "quadros mais novos" para enfrentar o próximo pleito presidencial. "Acho que já cumpri a minha função." Apesar desse discurso, Lula deixou seu futuro político em aberto. "A única coisa que não posso dizer é que não [disputarei em quatro anos]", afirmou.

Durante vários momentos, desde 2013, surgiu em diversos setores -inclusive dentro do PT- o movimento "Volta, Lula", que pedia que o ex-presidente assumisse a disputa no lugar de Dilma Rousseff.

Dilma e Lula estarão em Pernambuco nesta terça-feira (21). Este foi o único Estado nordestino em que a petista não saiu vitoriosa, tendo perdido para Marina Silva (PSB).

Eles devem visitar a fábrica da Fiat instalada em Goiana, na zona da mata pernambucana, fazer um comício na cidade e, no fim da tarde, participar de uma caminhada pelo centro do Recife.

Durante pouco mais de 20 minutos de entrevista, o ex-presidente não poupou de críticas do PSDB, partido do presidenciável Aécio Neves. O presidente desqualificou a atenção dada pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à região, que agora é tratada como prioritária por Aécio. "O problema dos tucanos é que eles têm voo curto e eles não conseguem sair do Sudeste. Eles ficam aqui. Eles não têm voo para chegar no Nordeste ou para chegar no Norte", disse o ex-presidente. "São bons de bico, aquele bicão grande, amarelo. Sabe para que que serve? Para comer os filhotes de passarinho e comer ovo dos passarinhos. São predadores", afirmou.

Lula criticou promessas de Aécio como a implementação da Farmácia do Trabalhador. "É muito engraçado porque depois de 12 anos governando Minas, não tem nenhuma", disse. "É muito fácil as pessoas prometerem".

DEBATESLula disse não acompanhar os debates entre Dilma e Aécio na televisão por ficar nervoso e sentir-se como "torcedor de futebol vendo jogador bater pênalti". "Ele [o torcedor] bate melhor que o jogador, ele marcaria melhor que o jogador, ele nunca erraria um pênalti", comparou.

Lula ainda condenou a proposta do candidato tucano de acabar com a reeleição para cargos do Executivo, uma das exigências feitas por Marina Silva em troca de apoio no segundo turno. "Descobri que um mandato de quatro anos não permite que um presidente faça nenhuma obra estruturante. E uma reeleição como no Brasil ou nos Estados Unidos [onde também há reeleição] permite ao cidadão começar uma obra e terminar", afirmou. "Acho a reeleição boa porque ela é uma aprovação ou não de quem está no governo", disse o ex-presidente. "Se você está no governo e fez um bom governo, é um direito de eu continuar mais um mandato". "O meu segundo mandato foi muito melhor que o primeiro mandato. Muito melhor. E eu tenho convicção que o da Dilma vai ser muito melhor".

Lula afirmou ainda ser a favor de uma reforma política e da redução do número de partidos. "Cada coisa que você tem que aprovar no Congresso é uma negociação com 28 partidos. É difícil construir até coalizão com 28 partidos", declarou.

Lula disse que, caso Dilma se reeleja, tratará de maneira "republicana" todos os Estados, inclusive Pernambuco, onde Paulo Câmara (PSB) venceu a eleição para governador.

Câmara disputou contra Armando Monteiro Neto (PTB), candidato apoiado pelo PT em uma eleição, segundo Lula, "atípica", em um momento de "comoção social muito forte" por causa da morte do ex-governador Eduardo Campos em um acidente aéreo em agosto.

Ao comentar as derrotas de seu partido em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, Lula afirmou que o momento é de "aprendizado". "Em vez de fazer disso um motivo de sofrimento, não, nós temos que fazer disso um motivo de aprendizado. Saber o que que nós não fizemos, o que deixamos de fazer. Ao invés de só ficar criticando os adversários, saber o que os adversários fizeram de certo para a gente se preparar para outro embate. Ninguém pode ficar chateado porque perdeu uma eleição, porque ninguém perdeu mais eleição do que eu neste país", afirmou.

CACHAÇALula disse que a saúde dele está melhor do que quando tinha 40 anos. "Posso apostar uma corrida com você de dez quilômetros", disse ao radialista, que então perguntou se o ex-presidente recusaria uma cachaça que gostaria de dividir com ele. "Ah, não. Vamos tomar uma dose juntos", disse Lula. "Rapaz, você quer me dar um presente e quer beber? Vamos pelo menos repartir", afirmou.

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