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Planalto

Em meio à crise, Lula fala em honestidade

Faxineiro que devolveu US$ 10 mil encontrados em aeroporto é elogiado em discurso presidencial

Brasília (AG) – Num momento em que órgãos do governo e dirigentes do PT estão sendo alvo de denúncias de corrupção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou ontem a importância de o brasileiro ser honesto. Durante visita ao canteiro de obras do Aeroporto Internacional de Brasília, Lula citou o exemplo de honestidade do auxiliar de limpeza Francisco Basílio Cavalcante, que em março de 2004 encontrou US$ 10 mil em espécie no banheiro do aeroporto e entregou o dinheiro à Infraero. O presidente começou e terminará a semana participando de eventos públicos, dentro da estratégia política de manter uma agenda anti-crise.

Diante de operários que trabalharam na obra do Aeroporto de Brasília, o presidente disse que gostaria que os 180 milhões de brasileiros fossem "Franciscos", generalizando, assim, o problema da corrupção no Brasil. Ele se referiu apenas às "denúncias que acontecem no Brasil", sem mencionar que elas atingem o PT.

"Vocês percebem que gestos como esse (do faxineiro) engrandecem a figura humana, o ser humano. Porque estamos percebendo, com todas as denúncias que acontecem no Brasil, que, se tivéssemos 180 milhões de Franciscos, certamente o dinheiro daria para fazer muito mais coisas para o povo pobre desse país", disse Lula dirigindo-se ao trabalhador: "Você é um exemplo de brasileiro".

A menção ao gesto de Francisco Cavalcante foi a única vez em que Lula foi aplaudido com entusiasmo pelos cerca de 400 operários que estavam no canteiro de obras.

"Recebi o Francisco no meu gabinete (quando ele achou o dinheiro) e perguntei: você não teve vontade de ficar com o dinheiro? Afinal de contas, você não tinha roubado, você achou. E ele falou: não, porque aquele dinheiro não era meu", contou Lula, brincado que Francisco Cavalcante estava elegante de terno e gravata.

Na sua maratona de encontros populares fora do Palácio do Planalto, esse foi o quarto consecutivo com trabalhadores: na sexta-feira, com petroleiros do Rio de Janeiro; no sábado com metalúrgicos do ABC paulista; no domingo com "cegonheiros" de São Bernardo do Campo e ontem com operários da construção civil.

A estratégia do Planalto é aproximar Lula dos movimentos sociais e dos trabalhadores, sua tradicional base de apoio.

No canteiro de obras, Lula cumprimentou e tirou fotos com 9 operários, entre eles Elisângela Rodrigues, técnica em segurança do trabalho. "Votei nele e votaria de novo. O nosso presidente não tem nada a ver com isso", disse Elisângela, de 22 anos, ao responder sobre as denúncias que envolvem o PT.

Ao mencionar a crise, o presidente da Infraero, Carlos Wilson, disse que o governo responde à crise com ações e que Lula era vítima de preconceito. Na sexta-feira, no Rio, o próprio Lula disse que não iria "baixar a cabeça para a elite do país".

"Há mais de 50 mil trabalhando nos aeroportos do Brasil. É a melhor resposta que podemos dar àqueles que, por preconceito, não aceitam um igual a vocês ter chegado à Presidência da República", disse Carlos Wilson, que está deixando a Infraero para concorrer as eleições de 2006.

O discurso também segue a estratégia de mostrar feitos e fazer comparações. Lula criticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao dizer que seu governo gerou 3,1 milhões de empregos de carteira assinada em 30 meses. Segundo Lula, a média mensal é de 104 mil empregos, contra 8 mil ao mês no governo anterior. Depois, abordou as ações na área da Educação.

A crise também foi a tônica do programa quinzenal de rádio Café com o Presidente. Nele, foi feita uma compilação de vários discursos onde ele prometia uma investigação profunda das denúncias e trabalho como resposta à crise.

"Porque o que o povo quer mesmo é resultado, o que ele quer mesmo é saber se, no frigir dos ovos, a sua vida vai estar melhor do que quando entramos no governo", disse Lula no rádio.

No aeroporto, a programação inicial era de Lula tomar café com os operários, mas o encontro foi mais rápido. Lula visitou um canteiro de obras e depois discursou numa tenda.

O próprio presidente brincou que o combinado era que todos tomassem café, mas ele mesmo tomou apenas uma xícara de café, de pé, enquanto os operários permaneciam em frente ao palco das autoridades. Alguns operários reclamaram que tiveram que ficar de pé durante o discurso e que o café não foi reforçado devido à presença do presidente.

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