Um dos dois empresários presos nesta quarta-feira (4) na operação "Salvação" Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público do Paraná (MP-PR), aceitou colaborar com as investigações sobre fraudes em licitações na prefeitura de Guarapuava, região Centro-Sul, e foi libertado nesta quinta-feira (5). Segundo o Gaeco, Valmor Garcia colaborou efetivamente com as investigações e recebeu o benefício da delação premiada. João Acir, o outro empresário detido, continua preso. Cinco funcionários públicos municipais, entre eles dois secretários: Sandra Zanette (Educação) e Edison Sanches Filho (Obras), continuam foragidos.
A operação Salvação, que investiga fraudes em licitações, peculato e falsificação de documento, foi deflagrada na madrugada de quarta-feira (4). Os policiais cumpriram 28 mandados de busca e apreensão. Dos sete mandados de prisão expedidos pela Justiça, apenas dois foram cumpridos. Valmor Garcia e João Acir foram presos e levados para 14ª Subdivisão Policial (SDP). Já os cinco servidores não foram localizados. Segundo informações da prefeitura, ambos os secretários estariam fora da cidade: Sandra Zanette em Foz do Iguaçu, representando o município em um evento e, Sanches Filho em viagem particular os Estados Unidos.
De acordo com o promotor, Vitor Hugo de Castro Honesko, coordenador do Gaeco de Guarapuava, a investigação iniciada em agosto deste ano, comprova que houve fraude em pelo menos dois processos licitatórios. Um deles, refere-se a montagem de um palco para encenação da Paixão de Cristo, uma vez que o evento ocorreu em março e a licitação só ocorreu em maio. O outro ligado a reforma de prédios públicos. "Existem indícios suficientes de que a Sandra Zanette participou ativamente das fraudes relacionadas a montagem do palco e também outros indícios de que houve fraude de reformas em escolas", declarou. Quanto a participação de Sanches Filho, o promotor explica que ele estaria envolvidos em todas fraudes. "Existem áudios do próprio secretário afirmando categoricamente de que havia empresa pré-determinada a ganhar, antes da licitação fechar, ele já apontava quem vai ganhar".
A promotora de Patrimônio Público, Leandra Torres, conta que, além dos empresários que tiveram a prisão temporária decretada, há outros nomes envolvidos. "Outros licitantes já comprovaram em depoimento as fraudes". O coordenador do Gaeco explica que os documentos recolhidos serão periciados para ajudar a mensurar os prejuízos das fraudes aos cofres do município.
O Gaeco a Promotoria de Patrimônio Público de Guarapuava continuam com os depoimentos na tarde desta quinta-feira (5). Eles devem reunir a imprensa local em um entrevista coletiva no final do dia para repassar novas informações.
Sem paradeiro
O Gaeco afirmou que não tem informações do paradeiro dos dois secretários e três servidores que tiveram a prisão preventiva decretada nesta quarta. Segundo o promotor de Castro Honesko, eles receberam informação de que os secretários devem se apresentar a polícia, mas até o momento os cinco servidores continuam foragidos.
Os advogados dos empresários João Acir e Valmor Garcia e do secretário de Obras e Serviços Públicos não foram localizados para comentar sobre o envolvimento de seus clientes. Já o advogado da secretária de Educação, Mohamed Darwiche, disse através de secretária que retornaria mais tarde.
Apoio
Em nota divulgada nesta quinta-feira (5), a prefeitura de Guarapuava manifestou solidariedade aos servidores envolvidos nas investigações da Operação Salvação.
O comunicado diz ainda que a prefeitura acompanha com confiança e serenidade as investigações do Gaeco e se coloca a disposição para colaborar com as autoridades.



