A série de reportagens intitulada "Diários Secretos" completa quatro anos com a sombra da possibilidade de prescrição dos crimes denunciados no trabalho de investigação da Gazeta do Povo e da RPCTV, que durou dois anos. Com isso, surgem críticas ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) responsável por realizar as investigações judiciais, oferecer denúncia à Justiça e pedir a condenação dos culpados. Em 2010, as matérias jornalísticas mostraram o desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) através da nomeação de "funcionários fantasmas", que recebiam salários mas não trabalhavam para o Legislativo.
Uma matéria exibida na noite desta quinta-feira (13) pela RPCTV mostrou o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) e líder do movimento O Paraná Que Queremos, José Lúcio Glomb, criticando a demora dos promotores em pedirem a condenação de todos os envolvidos. "O que nos notamos é que os processos andaram mais na área do 2º e 3º escalão. Quando tratamos do 1º, não vejo um resultado efetivo para apurar a responsabilidade", afirmou. "O Ministério Público e a Justiça do Paraná deveriam agir para dar uma prioridade a esse tipo de julgamento. É um julgamento de um caso emblemático."
A estimativa do MP é que R$ 200 milhões possam ter sido desviados dos cofres do Legislativo. Na época das denúncias, uma operação chegou a levar 33 pessoas para a prisão, entre elas três ex-diretores: Abib Miguel conhecido como Bibinho (diretor-geral), José Ary Nassiff (administrativo) e Cláudio Marques (pessoal). Atualmente, apenas o ex-funcionário da Assembleia, Daor Afonso Marins de Oliveira, está preso acusado de coordenar o emprego de até oito parentes dele no esquema.
Desde 2010, oito ações cíveis e sete criminais foram levadas à Justiça sobre o caso. Nenhum dos deputados envolvidos, porém, teve alguma condenação. O ex-presidente Nelson Justus e o ex-primeiro secretário da Mesa Diretiva, Alexandre Curi, são suspeitos de improbidade administrativa por serem responsáveis pelas nomeações dos servidores na época. Até agora, houve a condenação de 12 pessoas: Daor Afonso Marins de Oliveira e oito parentes dele, os ex-diretores José Ary Nassiff, Cláudio Marques da Silva e Bibinho.
Ministério Público
A procuradora geral em exercício do MP, Sâmia Bonavides, declarou em entrevista ao Paraná TV 2º Edição da RPCTV, que não há beneficiamento dos promotores a quem quer que seja.
"A visão não é está. Absolutamente, nunca foi", disse. Ela afirmou que as investigações demoram devido a complexidade e descartou a possibilidade de prescrição. "Nós não estamos trabalhando em uma perspectiva que ficará sujeito a pena mínima. Ela (a pena) poderá ser cumprida porque não vai estar prescrita."
Punidos
Além de Bibinho, onze pessoas já haviam sido condenadas pela Justiça por envolvimento no caso dos Diários Secretos.
Ex-diretores
- José Ary Nassiff (ex-diretor administrativo da Assembleia).
Pena: 18 anos, 11 meses e 20 dias de prisão (por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro).
- Cláudio Marques da Silva (ex-diretor de pessoal da Assembleia).
Pena: 18 anos, 11 meses e 20 dias de prisão (por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro).
Ex-funcionários
- Daor Afonso Marins de Oliveira
Pena:15 anos e 6 meses de prisão (lavagem e desvio de dinheiro e formação de quadrilha). Oito parentes de Oliveira, que participaram do esquema, foram condenados.



