
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) promoveu uma devassa na Assembleia Legislativa na manhã deste sábado, atrás de documentos, e prendeu o ex-diretor-administrativo Casa, José Ary Nassiff, o diretor da gráfica da AL, Luis Carlos Monteiro, e mais sete pessoas. Outras 13 ainda estavam sendo procuradas pela polícia até o fechamento desta edição.
A operação, intitulada "Ectoplasma II", foi deflagrada após a Justiça ter expedido 24 mandados de prisão de envolvidos nos escândalos da Asssembleia revelados pela Gazeta do Povo e pela RPC TV na série de reportagens intitulada Diários Secretos.
Além dos nove presos neste sábado, outros dois já estavam detidos: o ex-diretor-geral da AL, Abib Miguel e o ex-diretor de pessoal, Claudio Marques (veja o quador completo nesta página). Todos são acusados de participar de um esquema de desvio de verbas públicas, com o empréstimo de contas bancárias para receber dinheiro da Assembleia e o uso de funcionários fantasmas.
José Ary Nassiff teve cumprido o pedido de prisão preventiva e já foi encaminhado para o Quartel General da Polícia Militar, em Curitiba, onde já esteve preso e saiu beneficiado pela concessão de um habeas corpus.
No mesmo quartel também está preso o ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, conhecido como Bibinho, que voltou para a cadeia por volta da 1h30 da madrugada de sexta-feira depois de ficar apenas cinco horas em liberdade.
Os advogados dele entraram com mais um habeas corpus para tentar tirá-lo da cadeia, mas a juíza substituta Lilian Romero, da 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, pediu mais documentos para liberá-o. Neste sábado, porém, a Justiça aprovou mais um pedido de prisão preventiva contra ele.
Devassa
Além das prisões, promotores e auditores do Ministério Público, com o apoio de policiais, cumpriram também mandados de busca e apreensão de documentos como provas de irregularidades na Assembleia.
Parte desses mandados foi cumprida dentro da própria sede da Assembleia Legislativa. O diretor da gráfica da AL, Luis Carlos Monteiro, que havia sido preso em sua residência, no Bairro Seminário, foi conduzido à Assembleia Legislativa para ajudar na busca de documentos.
O Ministério Público chegou a pedir o envio de um caminhão para levar todo o material apreendido. Em outros locais também foram apreendidos documentos, computadores e pen drives.
Até o fechamento desta edição, a busca por materiais ainda não tinha terminado.
Vazamento
Fontes ligadas à investigação contaram que o Ministério Público ficou surpreso com o vazamento das informações sobre a operação, o que permitiu que vários suspeitos escapassem. Agora o MP quer fazer uma investigação para saber como se deu o vazamento.
Outro lado
A reportagem procurou, por telefone, o responsável pela comunicação da Direção da Assembleia, Alexandre Teixeira, e o presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM). Mas nenhum dos dois respondeu às ligações.
Veja todas as denúncias feitas pelo jornal Gazeta do Povo e pela RPCTV sobre os Diários Secretos da Assembleia Legislativa.









