
A série Diários Secretos, produzida pela Gazeta do Povo e pela RPC TV, conquistou neste fim de semana o prêmio de melhor reportagem investigativa da América Latina. As reportagens revelaram um esquema milionário de desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa do Paraná. O trabalho já havia recebido os dois mais importantes prêmios do jornalismo no Brasil o Grande Prêmio Esso de Jornalismo e o prêmio Tim Lopes de reportagem investigativa. Os jornalistas Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatcheik, com colaboração de mais de 40 profissionais do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), produziram a sequência de matérias publicadas no ano passado.
Segundo os jurados do Prêmio Latino-Americano de Jornalismo Investigativo, que escolheram por unanimidade o trabalho paranaense, trata-se de "uma reportagem que combina o melhor dos novos métodos de jornalismo com o melhor da reportagem clássica, com a melhor utilização de recursos, a mais notável consistência e os mais importantes resultados". Votaram Gustavo Gorriti (Peru), Fernando Ruiz (Argentina), María Teresa Ronderos (Colômbia) e Marcelo Beraba (Brasil).
A cerimônia de entrega da premiação aconteceu na noite de sábado, em Guayaquil, no Equador, durante a 3.ª Conferência Latino-Americana de Jornalismo Investigativo. O prêmio é concedido pelo Instituto Prensa e Sociedad (Ipys) e pela ONG Transparência Internacional. No total, 183 trabalhos foram inscritos e 17 reportagens eram finalistas. A série Diários Secretos concorria com reportagens relevantes, como as matérias que levaram à queda da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, no fim do governo Lula; as que mostravam desvios de recursos nas verbas indenizatórias dos deputados de Minas Gerais; e a que provou o aumento de patrimônio em onze vezes do presidente do México, Felipe Calderón. Crimes ambientais, tráfico de drogas e armas, exploração de trabalho infantil e irregularidade na atividade de minas de ouro foram temas abordados em outras reportagens concorrentes.
O segundo lugar ficou para o repórter Carlos Dada, do jornal El Faro, de El Salvador, que desvendou o plano de assassinato de Monsenhor Romero, um dos crimes políticos mais importantes daquele país. O terceiro lugar coube a Hugo Alconada, do jornal La Nación, da Argentina, por uma reportagem que mostra uma investigação de crimes financeiros usados como arma política pelo governo federal argentino. Os demais finalistas ganharam menção honrosa.
A intenção do Prêmio Latino-Americano de Jornalismo Investigativo, segundo os organizadores, é incentivar a produção de informações consistentes e mostrar exemplos que possam ser seguidos em vários países. Já a conferência que acontece desde quinta-feira e termina hoje, em Guayaquil, é uma forma de apresentar os melhores trabalhos realizados na América Latina e permitir a troca de experiências entre os jornalistas para que o conhecimento possa ser reproduzido em outras reportagens.



