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Grampos

Esposa diz que Rasera é “injustiçado”

A mulher do investigador da Polícia Civil Délcio Augusto Rasera, acusado de fazer escutas telefônicas ilegais, afirmou ontem que o marido está sendo "injustiçado". "Nem sei do que acusam meu marido, nem sei do que estão me acusando", disse Maria Luzia Savogin Rasera. Ela e os dois filhos, Marcos Vinícius, 19 anos, e Luciano, 30, prestaram depoimento ontem ao juiz Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho, no Fórum de Campo Largo.

Maria Luzia foi indiciada no mesmo processo que Rasera por formação de quadrilha armada, assim como os dois irmãos. Além disso, Marcos Vinícius é suspeito de ter participado de quatro interceptações telefônicas ilegais e Luciano, de uma. "É um absurdo o que estão fazendo com as nossas vidas", disse a mulher do investigador.

Ela conta que apenas desempenhava funções burocráticas no escritório particular de investigação de Rasera. "A empresa ia mal e eu pedi para ele dispensar a secretária. Aí eu ia lá todos os dias, cuidava das contas e atendia o telefone", disse.

Marcos Vinícius, que é estudante, afirmou que também tinha um trabalho secundário no escritório. "Quando precisavam de uma mão, eu ia ao banco, pagava conta, só isso", explicou-se. Luciano, segundo-tenente da Polícia Militar, também negou a participação em qualquer esquema ilegal. "Tenho meu trabalho, não sobra tempo, nem posso fazer outra coisa", afirmou.

Ambos defenderam o pai, que segue detido na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Ontem, o advogado da família entrou com o pedido de revogação da prisão de Rasera. Luiz Fernando Comegno alega que o processo não será concluído dentro do prazo legal e por isso não há diferença para o andamento judicial se seu cliente estiver solto. "Já se passaram 61 dias dos 81 estipulados como prazo. Não vai dar tempo para fazer tudo o que falta", disse. A expectativa é que o pedido seja julgado até sexta-feira.

Rasera depôs na semana passada e negou que fazia grampos telefônicos. Segundo ele, apenas realizava "varreduras" para saber se telefones de clientes particulares estavam grampeados. O policial civil também confirmou que trabalhava na Casa Civil como uma espécie de investigador especial para o governo. Desmentiu, porém, uma relação pessoal com o governador Roberto Requião (PMDB). Um mês antes, o técnico em telefonia Juraci Pereira de Macedo, havia declarado em depoimento à Promotoria de Investigação Criminal que Requião havia encomendado um grampo a Rasera. A vítima seria o próprio irmão do governador e superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião.

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