São Paulo (Folhapress) O advogado e assessor de Antônio Palocci quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto (SP) pela primeira vez (19931996) Rogério Tadeu Buratti, 42 anos, foi libertado ontem após depoimento ao Ministério Público. Segundo os promotores que investigam denúncias de corrupção em contratos com empresas de coleta de lixo, Buratti afirmou que o ministro da Fazenda recebia R$ 50 mil por mês da empresa Leão&Leão durante seu segundo mandato no município, entre janeiro de 2001 e novembro de 2002.
O dinheiro seria depois repassado ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que admite ter montado um esquema de caixa 2 para financiar campanhas políticas do partido.
Buratti, no entanto, não apresentou provas documentais que comprovassem o pagamento de R$ 50 mil de empreiteiras a Palocci.
A Leão Ambiental, empresa do grupo Leão&Leão, é acusada de participar ora como operadora ora como co-autora de esquema de fraudes em licitações públicas em 16 cidades de São Paulo e Minas Gerais, incluindo Ribeirão Preto.
Na quinta-feira, Buratti aceitou acordo de delação premiada que prevê redução de penas caso seja condenado e suas declarações sirvam ao Ministério Público Federal. Ele foi preso na quarta-feira, acusado de mandar destruir provas de negociações ilícitas de compra e venda de fazendas e de duas empresas de ônibus. Os negócios envolveriam R$ 2,6 milhões.
O promotor Sebastião Sérgio da Silveira, que também participa das investigações, disse que Buratti afirmou que grupos de casas de bingo em São Paulo e no Rio de Janeiro contribuíram financeiramente para a campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Em São Paulo teria sido arrecadado cerca de R$ 1 milhão por Ralf Barquete dos Santos, ex-secretário de Palocci na prefeitura e ex-diretor da Caixa Econômica Federal. Barquete morreu no ano passado de câncer. No Rio de Janeiro, Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, teria arrecadado mais R$ 1 milhão.
PSDB e PMDB
O promotor Naul Felca disse que Buratti citou também vários nomes de políticos do PSDB e do PMDB que estariam envolvidos no esquema de corrupção entre empreiteiras e prefeituras paulistas ligado ao serviço de coleta de lixo. Felca não divulgou os nomes apontados por Buratti.



