O ex-gerente de marketing da Nossa Caixa Jaime de Castro Júnior responsabilizou, em depoimento nesta quarta-feira ao Ministério Público Estadual (MPE), o presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro e o ex-presidente do banco Valderi Albuquerque pelo gasto irregular de R$ 48 milhões em publicidade sem contrato. De 2003 a 2005, por 22 meses, o banco operou as verbas publicitárias sem licitação nem contrato.
Em seu depoimento, Castro Júnior acusou também o ex-assessor de comunicação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Roger Ferreira, de participar de um suposto esquema de uso político de verbas de propaganda do banco.
- Jaime disse que era um fato normal a secretaria de comunicação da Casa Civil indicar ações de marketing e indicar alguns veículos de comunicação para a divulgação dessas ações - informou o promotor Sérgio Turra, responsável pela apuração das supostas irregularidades de propaganda do banco.
Segundo Turra, o próprio Jaime confirmou em seu depoimento que sabia que os veículos de comunicação indicados pela Casa Civil eram ligados a parlamentares da base de apoio do governador na Assembléia. Pelo menos quatro deputados que já formaram a base aliada do ex-governador Geraldo Alckmin teriam sido contemplados pela publicidade do banco.
- Ele falou genericamente que algumas verbas de publicidade tinham direcionamento a veículos de comunicação de parlamentares - explicou Turra, afirmando que o ex-gerente não detalhou as supostas operações de uso político das verbas.
Segundo seu depoimento de mais de quatro horas ao Ministério Público, Jaime afirmou ter se contraposto por questões técnicas a algumas dessas veiculações, mas que seu parecer teria sido desconsiderado pela presidência do banco.
O promotor também ouviu o depoimento do diretor de marketing da Nossa Caixa, Mário Sérgio Moreira Lopes, que disse que o deputado Wagner Salustiano (PSDB) teria mencionado um "compromisso superior" para pressionar o banco a fazer publicidade em seus veículos de comunicação. Segundo o Ministério Público, as empresas de Salustiano teriam recebido R$ 300 mil em propaganda da Nossa Caixa. O deputado apoiava Alckmin na Assembléia de São Paulo.
O ex-assessor de Alckmin Roger Ferreira, que se demitiu há três semanas, em meio a denúncias sobre o escândalo, segundo ele, para evitar desgastes para a pré-campanha do ex-governador à Presidência, rebateu a acusação de Jaime feita ao MPE.
- A comunicação da Nossa Caixa é de inteira responsabilidade da Nossa Caixa. Como empresa cotada na Bolsa de Valores, a Nossa Caixa não tem nenhuma subordinação formal ou informal, no que se refere à comunicação, a nenhuma instância ou pessoa exterior à empresa - afirmou Ferreira, em nota à imprensa.
Em nota oficial, Monteiro afirma que "tomou conhecimento da inexistência de contrato no dia 27 de junho de 2005 e, de imediato, determinou várias providências, entre elas a abertura imediata de sindicância, que levou à demissão por justa causa do sr. Jaime de Castro Júnior".
Monteiro também afirmou que há incongruências entre o depoimento desta quarta-feira do ex-gerente e suas declarações documentadas pela sindicância. No entanto, para o Ministério Público, o ponto mais forte do depoimento de Jaime foi a reafirmação do que foi apresentado no relatório pessoal do ex-gerente, que feito ao próprio banco.
DOCUMENTOS DESAPARECIDOS - Parte dos papéis do processo que apura supostas irregularidades na aplicação de verbas publicitárias da Nossa Caixa durante o governo de Geraldo Alckmin pode ter sido roubada na madrugada de segunda para terça-feira, quando o escritório político do deputado estadual Romeu Tuma Junior (PMDB), no bairro do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, foi arrombado. Também podem ter sumido documentos que apuram a doação de peças de vestuário do estilista Rogério Figueiredo para a mulher do ex-governador, Lu Alckmin. A lista dos documentos que roubados ainda não foi confirmada. Essa foi a segunda vez que arrombaram o escritório do deputado. A primeira foi em julho do ano passado.






