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Policiais do Gaeco cumpriram mais um mandado de prisão na manhã desta quarta-feira (25), na Operação Antissepsia. A gerente de projetos do instituto Atlântico - uma das Oscips investigadas no esquema de corrupção da saúde -, M.B., está detida na sede do Gaeco. A informação é do delegado Alan Flore.
A arquiteta já foi Diretora de Turismo da Codel, chefe do escritório regional da Paraná Turismo e gerente de licitações do Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), entidade acusada de desviar mais de R$ 300 milhões em recursos públicos, que foi substituída pelos institutos Atlântico e Gálatas. Até março deste ano, ela ocupou o cargo de gerente de projetos do Instituto Atlântico.
Em dezembro passado, os institutos assumiram a gestão de quase mil profissionais no Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), Programa Saúde da Família (PSF), Sistema de Internação Domiciliar (SID) e gerências da Policlínica da zona oeste e do programa DTS/Aids municipal. A execução dos seis serviços - contratadas de forma emergencial e sem licitação - custaria R$ 2,1 milhões aos cofres públicos.
21º prisão
Esta é a 21º prisão cumprida durante a Operação Antissepsia, que teve início no início deste mês. A 3ª Vara Criminal de Londrina decretou, na segunda-feira (23), a prisão temporária do publicitário Rui Nogueira Neto, mas ele não foi localizado e é considerado foragido.
O publicitário, que trabalhou na campanha do prefeito Barbosa Neto (PDT), é apontado como o responsável pela articulação para a contratação do Instituto Atlântico. Rui Nogueira move uma ação contra a organização, na qual tenta cobrar R$ 300 mil, a título de prestação de serviços publicitários.
A participação de Nogueira no esquema teria sido denunciada pelo ex-conselheiro municipal da Saúde Marcos Ratto, que está preso desde o dia 10 de maio. Em depoimento no dia 19 deste mês, Ratto afirmou aos promotores que Nogueira teria apresentado os diretores do Atlântico à primeira-dama do Município, Ana Laura Lino. Ela, segundo o conselheiro, teria exercido pressão nos membros do conselho para aprovarem a contratação do instituto Atlântico.
A operação
A Operação Antissepsia foi deflagrada em 10 maio depois de o Ministério Público receber denúncias de um suposto esquema de desvio de recursos da área da saúde envolvendo os institutos Atlântico e Gálatas. O ex-procurador Geral do Município Fidélis Canguçu e mais 14 pessoas foram presas. Canguçu foi exonerado do cargo depois do anúncio da prisão. Quatro dos presos foram liberados no mesmo dia após fazer acordo.
Foram apreendidos R$ 20 mil em dinheiro com Canguçu, além de três armas e diversos documentos na Procuradoria, no prédio da Prefeitura e nos institutos. Ao todo, 30 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Londrina, Cambé, Arapongas, Bela Vista do Paraíso e Jataizinho.
A investigação começou há quatro meses, por conta de denúncias de empresários que teriam sido procurados para dar notas fiscais frias para justificar serviços prestados pelas Oscips.
O papel de Fidélis Canguçu no esquema seria o de fazer a abordagem aos institutos para cobrar a propina. A moeda de troca para receber a propina seria a liberação dos pagamentos dos valores pelos serviços prestados. Um dos institutos teria pago em torno de R$ 120 mil de propina a Canguçu.
No dia 13, a Justiça atendeu ao requerimento do Ministério Público e prorrogou a prisão temporária de nove suspeitos. Gláucia Chiararia e Sílvio Luz Rodrigues, do Instituto Gálatas, foram soltos.
No entanto, na segunda (16) e na terça (17) ocorreram mais quatro prisões, subindo para 20 o total de envolvidos no esquema. Na quinta (19), o Ministério Público cumpriu um mandado de busca e apreensão na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e na casa do presidente da companhia, André Nadai. Lá, foram encontrados R$ 29 mil em dinheiro, guardados num envelope.



