
Rio de janeiro - Um infarto do miocárdio matou na madrugada de ontem o médico e ex-ministro da Saúde Jamil Haddad, de 83 anos. Também ex-senador, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-senador pelo Rio de Janeiro, Haddad sentiu-se mal de madrugada, em casa. Não houve tempo para que fosse socorrido. O corpo do ex-ministro foi enterrado no Cemitério São João Batista, na zona sul do Rio. Ele deixou a viúva Aída Gomes Haddad. O casal não teve filhos.
O ex-ministro também era presidente de honra do PSB, que integrou nos anos 60, antes do regime militar, e ajudou a reorganizar na década de 80, depois da redemocratização. Pelo partido, exerceu seus mandatos federais e foi convidado pelo presidente Itamar Franco (1992-1994) para assumir um ministério no governo que resultou do impeachment de Fernando Collor.
Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou Haddad como um exemplo de "coerência" e lembrou que foi ele o introdutor no país dos medicamentos genéricos uma das bandeiras do governador José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência, que, quando ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, impulsionou a produção e a venda desses remédios no país.
Segundo a nota do presidente, Haddad teve "atuação destacada contra a ditadura militar". "Teve os direitos políticos cassados durante dez anos e voltou com a mesma disposição de trabalhar pelo país e pelo seu povo. Como ministro da Saúde, assinou o decreto dos genéricos, que até hoje salva muitas vidas devido à ampliação do acesso aos medicamentos."
A ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, considerou a morte de Haddad "uma perda inestimável". O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), decretou luto de três dias no estado.



