
Relator da proposta que estabelece novo valor para o salário mínimo, o deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, afirmou que vai conversar com as centrais sindicais para discutir o assunto e ouvir suas posições. O deputado petista, que integra a base do governo e tem origem sindical foi presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) , deverá chancelar a proposta apresentada pelo Palácio do Planalto que eleva o mínimo para R$ 545, embora afirme que ainda vai estudar o projeto até a votação da próxima quarta-feira.
Vicentinho lembrou que existe um acordo fechado entre o governo e as centrais sindicais estabelecido em 2007, criando regras para o reajuste do mínimo. Pelo acordo, o mínimo é corrigido com base na variação do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores mais a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Como em 2010 o INPC ficou em 6,47%, esse indexador informal usado pelo governo com a concordância das centrais jogaria o valor para R$ 543. O governo arredondou para R$ 545, mas as centrais defenderam que houvesse uma antecipação em relação aos indicadores do próximo ano, elevando o valor para pelo menos R$ 560. Admitiram até que esse aumento poderia ser descontado no próximo reajuste. O governo, porém, permaneceu reticente em relação a dar mais do que R$ 545.
Como ex-sindicalista, Vicentinho disse que acordos devem ser mantidos. "Eu brigava muito quando era sindicalista. Mas, quando fechava acordo, sempre defendi que fosse mantido", diz. Ele disse, porém, que vê com simpatia uma negociação em torno da "antecipação", que poderia garantir um mínimo maior. Mas reconheceu que o governo diz não haver margem para a concessão de um aumento mais elevado.
Conversas
Vicentinho já conversou com o presidente da CUT, Artur Henrique, e ainda vai conversar com as demais centrais. Comandadas pelo presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), as centrais centrarão fogo numa emenda de R$ 560, com apoio do DEM, do PV e até do PSDB.
"Minha preocupação é que não haja quebra de acordo. O líder do governo me informou que não há margem de negociação dos R$ 545", disse Vicentinho.
O petista afirmou que não se sentirá "constrangido" diante dos colegas dos sindicatos. "Não, porque minha vida foi defendendo a credibilidade. Se não, vira bagunça. Houve um acordo com as centrais", disse ele.
A votação do projeto do mínimo está marcada para a próxima quarta-feira. A data já havia sido antecipada na quinta-feira pelo líder Vaccarezza e ontem confirmada pelo presidente da Câmara, deputado Marco Maia. Como já acertado, na terça-feira haverá uma audiência pública da Câmara, uma comissão geral, para discutir o mínimo. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, participará do debate, além das centrais e de representantes das prefeituras.
* * * * Interatividade
O governo vai conseguir manter o valor do salário mínimo em R$ 545 ou vai ceder à pressão dos parlamentares por um aumento maior?
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