
Os recentes movimentos partidários e trocas de legendas deixaram a família do secretário de estado de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, no comando de três partidos no Paraná: Partido Progressista (PP), Partido Republicano da Ordem Social (Pros) e Partido Humanista da Solidariedade (PHS). A mulher de Barros, a deputada federal Cida Borghetti, e o irmão dele, o ex-prefeito de Maringá Silvio Barros, deixaram recentemente o PP e migraram para outras legendas.
Cida assumiu a presidência estadual do Pros, partido que obteve recentemente o registro no Superior Tribunal Eleitoral; já Silvio Barros foi para o PHS. Os dois dizem que poderão concorrer ao governo do estado em 2014. Segundo o ex-prefeito, a possível candidatura dependerá do partido. Já Cida afirma que o Pros planeja disputar uma candidatura majoritária e deve montar uma chapa própria para a disputa da eleição proporcional. "A legenda [Pros] foi criada para ser protagonista nos cenários nacional, estadual e municipal", diz ela.
Para Ricardo Barros, as mudanças de partido são uma oportunidade para que Cida e Silvio Barros tenham um destaque maior nas próximas eleições. "Acho que os dois têm muito a oferecer e chegou a vez deles de disputarem eleições majoritárias, como eu fiz em 2010, quando concorri ao Senado", comenta o presidente estadual do PP.
Na avaliação do secretário, as saídas de seus familiares do PP não enfraquecem o partido. Para ele, a mudança amplia a possibilidade de alianças do PP nas futuras disputas eleitorais. "A política brasileira é feita com base em alianças e coligações."
Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi, a estratégia de Ricardo Barros em manter parentes em partidos políticos diferentes é bastante comum. "Quem controla ou tem o apoio de diversos partidos tem, também, o controle de diversos fundos partidários", lembra.
Cervi salienta que a representação na Câmara e o tempo no horário eleitoral gratuito são as principais peças de barganha. "Mesmo um partido nanico consegue negociar seu apoio por esse motivo. Se o partido grande agaranhar diversos partidos menores, conquista uma representatividade expressiva."
Além disso, Cervi diz que é comum que as eleições sejam disputadas por diversos candidatos com o mesmo perfil. "A maioria é, na verdade, candidato de fachada, testa de ferro mesmo. Mas são os votos conquistados por eles que desenham uma eleição."
Para o cientista político, há poucas diferenças ideológicas entre os partidos. Ele defende que, atualmente, só existem três partidos no Brasil: PSDB, PT e o PMDB. "As outras siglas ficam orbitando em volta dos três grandes partidos e são fundamentais para o atual sistema eleitoral."



