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Tragédia

Família diz que vôo 3054 levava passageiro a mais, não registrado

Marcos Stepanski era funcionário da empresa e não precisava fazer check-in. TAM não confirma informação, mas diz estar prestando assitência à família

O vôo JJ 3054, que terminou em tragédia após se chocar contra um prédio da TAM em Congonhas, pode ter tido a bordo um passageiro a mais, não contabilizado pela companhia aérea. Marcos Stepanski, de 27 anos, era funcionário da empresa e não teria feito o check-in, por não precisar de cartão de embarque. Ele viajava a São Paulo para fazer a última prova para poder ser co-piloto de um Airbus, como o que caiu na capital paulista.

"Nós temos a informação de que ele embarcou exatamente nesse vôo," confirmou ao G1 o avô de Marcos, João Stepanski, que é piloto e foi diretor de operações da Varig entre 1975 e 1980. João trabalhou na Varig por 42 anos e conta que o procedimento de embarque de pilotos sem o check-in é comum. "Há milênios isso é assim, eles voam como se fossem parte da aeronave", conta o avô.

187 passageiros

Isso elevaria o número de passageiros da aeronave para 187. O presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, disse na quarta-feira (17) que a lotação do avião era de 185 passageiros, mas que 186 pessoas estavam na aeronave por conta de um bebê que estava sentado no colo da mãe. Ele também afirmou, em entrevista coletiva, que o avião estava abaixo do peso recomendado pela empresa fabricante.

A reportagem do G1 conversou também com parentes por telefone do piloto no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro e todos confirmam que Marcos estava no vôo JJ 3054. A assessoria de imprensa da TAM não confirma a presença de Marcos no vôo, porém afirmou que fornece à família a mesma assistência dada aos parentes de outras vítimas.

A Associação dos Tripulantes da TAM (ATT) disse que está acompanhando o caso. Segundo a entidade, os tripulantes recebem um "passe" quando precisam viajar. Eles não precisam passar pelo check-in para embarcar e, por isso, o nome de Stepanski pode estar fora da lista dos passageiros.

Profissão de família

Vindo de uma família muito envolvida com a aviação, com avô e tios pilotos e pai comissário de bordo, Marcos tinha licença para pilotar aviões de pequeno porte. Recém-contratado pela TAM, ele buscava o sonho de se tornar piloto da aviação civil.

Segundo João Stepanski, a família está "desmoronada". O pai de Marcos, o comissário aposentado Carlos Henrique Stepanski, está em São Paulo procurando notícias do filho. De acordo com João, ele está "devastado". A mãe, Carmem Vera, continua em Porto Alegre.

Acima do peso

De acordo com a TAM, o vôo JJ 3054 estaria lotado quando decolou para São Paulo. Se isso for verdade, e Marcos estava a bordo, a aeronave poderia ter decolado com a capacidade excedida. Segundo João, isso seria um erro sério. "Sou piloto e sei que aviação é uma coisa segura, mas você precisa seguir as normas. O avião funciona dentro daquelas normas", diz ele.

O piloto aposentado também cobrou a divulgação dos dados sobre o vento na hora do pouso da aeronave. Segundo ele, se o vento vinha por trás do avião, ele poderia ter atrapalhado o piloto e contribuído para o desastre.

Ainda assim, João Stepanski disse não poder falar enquanto piloto sobre a tragédia. "Só posso falar enquanto ser humano: perdi meu neto. Um garoto fantástico", afirmou. "Levaram o meu menino."

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