O ex-secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, que deixou o cargo nesta sexta-feira, admitiu que há divergências entre as instituições que cuidam da segurança do estado. Furukawa deixou o governo em clima de turbulência. Há duas semanas, o estado enfrentou 72 rebeliões simultâneas. Com o fim dos motins, agentes penitenciários entraram em greve e pediam a saída do secretário.
- Existem dificuldades de entendimento com os vários setores. Acho que eu até estava atrapalhando um pouco com a minha presença. Com a minha saída eu espero que esse entendimento aconteça melhor - afirma, sem detalhar quais eram os setores de conflitos. Mas afirmou que eram vários.
Furukawa foi muito criticado por atender reivindicações dos presos, como a troca da cor do uniforme e a instalação de televisões. Ele também ganhou inimigos dentro do governo depois de transferir 765 presos para a penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes. Depois da transferência, começaram os ataques contra policiais, confrontos e rebeliões do último dia 12.
Juiz aposentado, Nagashi Furukawa ficou seis anos e meio à frente da secretaria da Administração Penitenciária. Quando entrou, tinha sob comando 49 prisões, que abrigavam 60 mil presos. Saiu com uma estrutura bem maior: 144 presídios e a maior população carcerária do país, com 125 mil presos.
- Eu fico muito feliz de entregar a secretaria para uma pessoa do sistema penitenciário, que conhece tudo, que tem liderança e que, com certeza, vai vencer esse momento difícil - afirma o ex-secretário sobre seu substituto Luiz Carlos Catirse.
Mas o governador Claudio Lembro já avisou que ele não deve ficar muito tempo no cargo.
- Ele ficará quanto for necessário. Vamos escolher um agente político para substituí-lo e ele voltará para suas funções administrativas - afirmou Lembo.



