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Gabrielli volta a responsabilizar Dilma

Ex-presidente da estatal lembrou que a petista comandava o conselho de administração da empresa à época das irregularidades

Baiano comandou estatal por sete anos, entre 2005 e 2012 | Vanderlei Almeida/AFP
Baiano comandou estatal por sete anos, entre 2005 e 2012 (Foto: Vanderlei Almeida/AFP)

Alvo de acusações contra sua gestão de sete anos à frente da Petrobras, o economista baiano José Sérgio Gabrielli quebrou o silêncio a que vinha se impondo. Em entrevista, Gabrielli negou que esteja com os bens bloqueados como determinou, em agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Afirmou também que nem ele e nem o ex-presidente Lula têm responsabilidade sobre contratos ditos irregulares na estatal, lembrando que a presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega presidiam o conselho de administração da Petrobras à época dos fatos. Em abril de 2014, Gabrielli já havia responsabilizado a presidente. Ele disse ainda que o ministro José Jorge, do Tribunal de Contas da União ((TCU), "cometeu erro fundamental" ao apontar prejuízo de US$ 792 milhões na compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos.

Ao falar sobre os escândalos na Petrobras, Gabrielli ressaltou que não há nenhuma acusação contra ele. Segundo o ex-presidente da estatal, não há como atribuir responsabilidade dos fatos a uma ou outra pessoa especificamente. "Há responsabilidades individuais que têm que ser apuradas. Os procedimentos da companhia são regulares", defendeu. "Estou tranquilo. [Vou] fazer a verdade prevalecer, tirar a exploração política sobre os assuntos, tornar os fatos explícitos."

Na entrevista, Gabrielli argumentou que a direção da Petrobras tem o dever de acompanhar os procedimentos de controle sobre os contratos da empresa, que, segundo ele, foram avalizados por consultorias particulares entre 2006 e 2013, conforme exigem as legislações brasileira e norte-americana. "Você tem mais de 55 mil contratos por ano na Petrobras. O que a direção da empresa tem que fazer é acompanhar a adequação com os procedimentos existentes, saber essencialmente como é o controle", declarou. "Se algum diretor é ladrão, é bandido, tem que punir. Mas isso não pode condenar a empresa."

Gabrielli ainda negou que haja superfaturamento na maioria dos contratos da Petrobras, conforme apontam os órgãos de controle. De acordo com ele, há "discussões técnicas sobre o que significa em termos de preço", o que gerou, por exemplo, erro na análise da compra da refinaria de Pasadena.

"O erro é a consultoria contratada para fazer uma avaliação de potenciais cenários de refino, em 2005, pegar um dos 25 cenários levantados e comparar com o preço pago e chamar isso de prejuízo", justificou. "O correto seria transformar e comparar o valor da refinaria com o valor das outras refinarias equivalentes na época. E quando se faz essa comparação, Pasadena está mais do que no valor na média dos valores da época."

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