O inquérito policial aberto para investigar o motivo pelo qual um telefone da Rede Gazeta foi grampeado durante as investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins sugere que houve falha da Telefonia Celular Vivo. O delegado Joel Lyrio Júnior, designado para apurar o caso, entendeu que houve responsabilidade de um funcionário da operadora, que ao enviar informações equivocadas à polícia, induziu erros no decorrer das investigações.
Joel Lyrio destacou que as apurações sobre o grampo na Rede Gazeta ainda não foram concluídas. Segundo ele, o objetivo inicial era apenas saber por que a linha telefônica da empresa de comunicação foi interceptada indevidamente. A partir de agora, explicou o delegado, serão enviadas cópias dos relatórios ao Ministério Público Estadual e aos órgãos competentes pelas investigações administrativas, que deverão indicar os responsáveis pelos erros cometidos durante todo o período em que ocorreram as interceptações.
Os questionamentos quanto ao vazamento de informações do processo relacionado à morte do juiz Alexandre Martins - que está em segredo de Justiça - e às possíveis falhas dos policiais do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nuroc) ainda não foram respondidos pela polícia. Até a responsabilidade do funcionário da Vivo, que não teve o nome revelado, ainda terá que ser avaliada pelo Ministério Público, que vai investigar a conduta podendo ou não abrir processo judicial.- Houve um erro por parte de quem forneceu esses dados para as investigações, mas a conduta dessa pessoa pode ser dolosa (com intenção) ou culposa (sem intenção). Quem vai decidir será o Ministério Público, com as provas que apuramos no inquérito - , explicou.
As investigações apresentadas pelo delegado também comprovaram a existência de um telefone, da empresa Telhauto, semelhante ao número da linha interceptada na Rede Gazeta. A linha que já pertenceu à empresa de material de construção Telhauto, investigada no processo que apura a morte do juiz foi habilitada na mesma data do número da Rede Gazeta. O fato desmente os proprietários da empresa Telhauto, que garantiam nunca terem possuído número telefônico parecido com o da Gazeta.
As conclusões do inquérito também tiram a responsabilidade de erro dos delegados envolvidos no caso e do ex-secretário de Segurança Pública, Rodney Rocha Miranda, que foi exonerado por causa do escândalo do grampo.
- O ex-secretário de segurança não presidiu nenhuma das investigações e não teve acesso às apurações formalizando pedidos, questionamentos. A delegada Fabiana Maioral conduziu o inquérito, acompanhada do Ministério Público - assinalou Joel Lyrio.
O grampo em uma das linhas de telefone da Rede Gazeta foi descoberto há 30 dias, após denúncias da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do sindicato da categoria no estado. Um dos números da rede foi interceptado durante as investigações sobre o mando da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrida em 24 de março de 2003.
O relatório das investigações, coordenadas pelo delegado Joel Lyrio, foi entregue à Justiça nesta quinta-feira - dentro do prazo de 30 dias. Joel Lyrio ouviu mais de 20 pessoas envolvidas no caso. O delegado solicitou que qualquer informação em relação ao telefone da Rede Gazeta seja apagada do sistema de interceptação telefônica do Governo do Estado e que o poder Judiciário destrua as mídias e cds gravados.
Sobre o relatório que conclui que o erro pelo grampo na Rede Gazeta foi da Vivo, a empresa divulgou a seguinte nota:
"Em respeito e observação às obrigações legais de confidencialidade e sigilo que caracterizam sua atividade, a Vivo informa que não comentará sobre os procedimentos investigatórios até que estes estejam definitivamente concluídos".



