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Denúncias

Investigados levantam suspeita sobre operações da Polícia Civil

Juiz critica “eficiência” do Cope em apuração de denúncia contra Beto Richa e anula investigação

O delegado Miguel Stadler, do Cope, rebate a tese de que a instituição esteja sendo usada para fins políticos | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
O delegado Miguel Stadler, do Cope, rebate a tese de que a instituição esteja sendo usada para fins políticos (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

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A campanha eleitoral de 2008 apresentou um novo personagem: a Polícia Civil do Paraná - instituição subordinada à Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), vinculada ao governo do estado. Candidatos à prefeito afirmam que recentes operações realizadas pela polícia, no período eleitoral, chamam atenção pela agilidade nas investigações e levantam suspeitas de que tenham motivação política.

Em quatro ações da Polícia Civil, envolvendo candidatos à prefeitura, todos os investigados são adversários diretos do grupo político do governador Roberto Requião (PMDB). A mais recente suposta ingerência da polícia do estado na corrida eleitoral aconteceu em Curitiba. No último dia 12, o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), subordinado à Sesp e ao governo do estado, iniciou uma investigação contra o prefeito da capital e candidato à reeleição Beto Richa (PSDB).

A denúncia partiu do advogado Guilherme Gehlen, que acusou Richa de contratar funcionários fantasmas para o gabinete da Assembléia Legislativa do Paraná entre os anos de 1995 a 2000 – quando foi deputado estadual. A eficiência do Cope, que em menos de 24 horas de investigação já havia intimado e ouvido duas supostas testemunhas, foi criticada pelo juiz Pedro Sanson Corat, da Vara Central de Inquéritos, que anulou todo o procedimento investigatório.

No despacho, Sanson Corat considerou espantoso que em menos de um dia se desenrolaram os depoimentos, "não se sabendo ao certo qual o motivo concreto para tais denúncias terem vindo à tona neste momento eleitoral". Ao justificar a rapidez na investigação, o delegado-geral do Cope, Miguel Stadler, explicou que foram coletados termos de declaração e não depoimentos. "A diferença é que no termo de declaração a pessoa ouvida não presta compromisso legal de dizer a verdade", diferenciou.

Stadler afirmou não acreditar que a instituição esteja sendo usada para fins políticos. No entanto, o advogado Gustavo Giovanini Marinho Almeida, que representa Gehlen -- o autor da representação contra Richa --, contou à reportagem que a denúncia só foi protocolada no Cope depois que um dos delegados entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública -- que deu o aval. Stadler afirmou que a determinação para apurar a denúncia partiu dele e que o secretário Luiz Fernando Delazari foi informado do caso e teve conhecimento do que estava sendo apurado.

Richa preferiu não comentar a investigação. O advogado da campanha de Beto Richa e procurador do município licenciado, Ivan Bonilha, disse ter resistência a acreditar que o Cope pode ter sido usado politicamente, nas defende uma sindicância para apurar a investigação policial. "A desconfiança (sobre o uso do Cope em campanha política) é grande e se evidenciou de modo forte neste caso (envolvendo Richa). É reprovável que qualquer governo faça uso dos meios e instrumentos que são públicos para satisfazer perspectivas pessoais ou de grupos", disse Bonilha.

Colombo

No dia 5 de agosto de 2008, exatos dois meses antes da eleição, uma certidão da Polícia Civil informava que o inquérito policial de número 118/2008, que vinha sendo conduzido pela polícia de Colombo, foi encaminhado para o gabinete de Francisco José Batista da Costa -- delegado geral adjunto da Polícia Civil do Paraná. O inquérito investiga uma denúncia de fraude em contratação e licitação de veículos locados pelo município de Colombo -- administrado pelo prefeito e candidato à reeleição, José Antônio Camargo (J. Camargo), do PSC, adversário político da deputada estadual e candidata Bete Pavin (PMDB), que tem o apoio de Requião.

A certidão, obtida com exclusividade pela Gazeta do Povo, esclarece o motivo do encaminhamento: "determinação superior para redistribuição do procedimento investigatório". Ou seja, por ordem do alto escalão da Polícia Civil a investigação passou a ser conduzida pelo Cope e não mais pela delegacia de Colombo. Batista da Costa foi procurado, mas a assessoria da Sesp informou que ninguém iria comentar o caso. O delegado da cidade, Hamilton da Paz, revelou que a determinação para a redistribuição do procedimento investigatório veio dias depois que o inquérito policial chegou na delegacia. Para Paz, a intenção foi dar agilidade a investigação da denúncia. "Tenho certeza que a redistribuição para o Cope foi para agilizar o trabalho de investigação da denúncia. Eu tenho aqui (na delegacia de Colombo) 1,8 mil inquéritos", relatou o delegado, citando uma possível demora na apuração da denúncia por conta do volume de trabalho.

O inquérito policial está bem adiantado, mas Stadler não dá mais detalhes da investigação para não comprometer o trabalho da polícia.

J. Camargo foi procurado, mas preferiu não comentar o caso. Ele, entretanto, defende que tudo seja investigado com o rigor da lei. Pessoas ligadas à campanha do prefeito à reeleição comentam que a "manobra" teria cunho eleitoreiro e com intenção de favorecer a deputada estadual Bete Pavin (PMDB), ligada ao governador. A relação de J. Camargo com Requião azedou em 2006 quando o prefeito resolveu apoiar o então candidato ao governo do estado Osmar Dias (PDT).

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