
João Pessoa - Em seu primeiro dia útil como governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), assinou ontem um decreto exonerando pelo menos 6 mil funcionários comissionados da administração direta deixados pelo governador cassado Cássio Cunha Lima (PSDB), determinou uma auditoria em todas as contas do estado e anunciou que fará uma análise detalhada dos contratos e convênios de grande valor feitos por seu antecessor.
Apesar de negar uma caça às bruxas, Maranhão deixou claro que vai passar um pente-fino nos atos administrativos do tucano. "Precisamos auditar grandes contratos. Vamos analisar essa operação dos cheques da FAC", disse ele, referindo-se à fundação usada para distribuir cheques na eleição, o que motivou a cassação de Cunha Lima. "Isso tudo foi documentado. Vamos analisar mais a fundo esses pagamentos."
Maranhão foi surpreendido quarta-feira, após a posse, por um problema inesperado. Antes de deixar a cadeira de governador, o tucano demitiu todos os secretários por meio do presidente da Assembleia Legislativa, Arthur Cunha Lima (PSDB), primo do governador cassado, que respondia pelo cargo após a cassação determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A medida obrigou o novo governador a fazer ontem, às pressas, a nomeação de 30 pessoas para o primeiro escalão. "Ninguém nunca fez isso. O governante espera até que o seu sucessor se apresente para a transmissão de cargo com todos os seus secretários nomeados", afirmou.
Com as demissões do secretariado, Maranhão encontrou ontem o Palácio da Redenção com os gabinetes abandonados e despachou de sua casa. Senhas de arquivos e até do site oficial do governo não foram transmitidas para os novos ocupantes do posto, o que dificultava o acesso aos dados.
Cunha Lima, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que quem determinou as exonerações foi Arthur Cunha Lima, a pedido do secretariado. Alegou que na decisão publicada no Diário Oficial de quarta-feira, que foi às ruas apenas à noite, estava prevista a indicação de um servidor para transmitir os dados do governo, mas Maranhão não teria aceitado a ajuda.



