
Brasília - O Paraná é o estado brasileiro que menos teve despesas com a Justiça Estadual em relação ao próprio Produto Interno Bruto (PIB) durante 2007. A escassez de recursos se reflete principalmente na área de informática do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). De acordo com estudo apresentado ontem pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2007 havia apenas um computador para cada dois funcionários do TJ-PR, proporção superior somente à encontrada na Justiça do Piauí.
O problema está entre os motivos para a lentidão do Judiciário paranaense. O Paraná está abaixo da média nacional em três dos quatro parâmetros de avaliação da taxa de congestionamento de processos, que mede a quantidade de julgamentos realizados. A questão é mais grave nos juizados de primeiro grau.
Do total de processos em tramitação nessa instância ao longo de 2007, 85% não foram julgados a média nacional é de 80,5%. Ou seja, os entraves na Justiça paranaense iniciam-se logo no começo do caso. Por outro lado, a porcentagem de processos sem julgamento na segunda instância judiciária do Paraná cai para 27,5%. O índice está bem abaixo dos 45,4% da média nacional. Na média geral do Paraná, incluindo as duas instâncias judiciais, a porcentagem de processos não julgados em 2007 foi de 79,7%.
Responsável pela pesquisa, o conselheiro Mairan Maia disse que a performance do TJ-PR no primeiro grau é o dado mais alarmante verificado no estado. "Chama muito a atenção. Tanto que não dá para dizer que a taxa de congestionamento no segundo grau é satisfatória porque a informação está comprometida pela baixa performance dos julgamentos em primeiro grau."
PIB x despesas
Para fazer a relação entre PIB e despesas da Justiça Estadual do Paraná, o CNJ levou em conta a avaliação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão estimou que o total de riquezas produzidas no estado em 2007 foi de R$ 150,8 bilhões. O valor representava 5,9% do PIB total do país e a 5ª colocação em um ranking com os demais estados.
Em contrapartida, a despesa total da Justiça Estadual naquele ano foi de apenas R$ 664,4 milhões. Ou seja, a relação entre despesas judiciárias e PIB foi de 0,44%. Nessa comparação, estados com menos riquezas (Amapá, Acre, Rondônia, Paraíba e Rondônia) lideraram a classificação, enquanto o ente mais rico da federação (São Paulo) ficou em penúltimo.
Ao todo, o CNJ trabalhou com seis aspectos na comparação entre os Judiciários estaduais. Além das despesas, receitas, do grau de informatização e da taxa de congestionamento, aferiu índices de litigiosidade e carga de trabalho. Em nenhum deles há destaques positivos para o Paraná.
O estado é o 20º colocado na despesa da Justiça por número de habitantes (R$ 64,60 por pessoa) e o sexto no número de processos por juiz (4.531 por magistrado). A única comparação em que o Paraná ficou levemente acima da média nacional foi a relação do número de juízes por 100 mil habitantes. No Paraná, a média é de 6,7 magistrados para cada 100 mil moradores contra seis no restante do país.
Situação crítica
O corregedor-geral do CNJ, Gilson Dipp, destacou que a falta de investimentos não é um problema pontual de alguns estados. "O que acompanhamos é um total desaparelhamento das primeiras instâncias."
Dipp realizou inspeções no Maranhão, Amazonas, Piauí, Pará e Rio Grande do Sul para verificar quais os principais problemas. "Há casos em que o juiz fica refém do escrivão, outros nos quais ele é obrigado a trabalhar com funcionários sem qualificação cedidos pela prefeitura. Há até casos de fóruns saqueados e incendiados no Maranhão."
* * * * *
Interatividade
Quais são os principais problemas que o cidadão que busca a Justiça enfrenta para fazer valer seus direitos? E o que você acha que poderia ser feito para mudar isso?
Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br ou deixe seu comentário abaixo
As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.



