
Brasília - Em conversa descontraída com ministros mais próximos, há cerca de 15 dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu os presentes ao levar para a roda um fato recente, mas fora da agenda atual: a ajuda que deu a José Sarney (PMDB-AP) para mantê-lo na presidência do Senado, mesmo com o escândalo dos atos secretos que beneficiaram parlamentares e seus parentes mais próximos.
"Quem ganhou fui eu, porque o PMDB vai marchar com Dilma", disse Lula, segundo um dos presentes, ao se referir à aliança que está costurando para a disputa presidencial, com a sua candidata, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Lula tinha nas mãos alguns números sobre o PMDB, todos comprovando o gigantismo do partido. Como sabe que ser governo e apoiar Sarney desgasta e afugenta o voto nas grandes regiões metropolitanas, é necessário avançar cada vez mais rumo aos grotões. E nenhuma sigla é melhor do que o PMDB para esse objetivo. O partido está presente em 84% dos municípios brasileiros. E tem 8.497 vereadores, 1.119 prefeitos, 910 vice-prefeitos, 170 deputados estaduais, 9 governadores e 5 vice-governadores.
Além disso, a sustentação de Sarney em troca do apoio peemedebista irá somar os três minutos do tempo de tevê e rádio do PT com os três minutos e doze segundos do PMDB na campanha eleitoral de 2010 isso sem considerar o tempo dos outros partidos que venham a estar coligados. PSDB, DEM e PPS, legendas próximas de formalizar chapa para disputar a eleição presidencial, alcançam, nas contas de hoje, cinco minutos e cinquenta e três segundos.



