Fortaleza, CE (Folhapress) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que os críticos de seu governo são "aves de mau agouro" e cobrou "juízo" daqueles que, segundo ele, "exageram" ao provocar o acirramento das disputas políticas diante da crise política iniciada sete meses atrás. De acordo com o presidente, o país precisa de "tranqüilidade" neste momento para que a economia continue crescendo nos próximos anos.
"Eu nunca ataquei ninguém. Eu acho que quem está exagerando sabe que está exagerando. E as pessoas que quiserem brigar que briguem", afirmou o presidente, depois de ter sido questionado se, no atual momento, é necessária uma diminuição na troca de ataques entre base aliada e oposição.
As declarações do presidente ocorreram em rápida entrevista em Arneiroz, município cearense a 475 km de Fortaleza e cravado no semi-árido nordestino.
Em visita ao local para a inauguração de uma barragem, Lula, após fala improvisada de 30 minutos, respondeu a questões sobre a continuidade ou não do acirramento dos debates políticos a pouco menos de um ano das eleições.
Cercado por seguranças, separados dos jornalistas por uma grade e com a roupa ensopada por conta do calor de cerca de 35.º C, Lula disse que o país precisa de "tranqüilidade" neste momento. "Agora as pessoas têm que saber que o povo brasileiro, neste momento, precisa de tranqüilidade porque o país está crescendo." Ao final, questionado se tal afirmação se tratava de um pedido de trégua, o presidente disse: "Eu só peço juízo às pessoas".
Na início da semana Lula já havia conversado com a oposição sobre a dureza dos ataques tanto do governo e da base aliada como de tucanos e pefelistas. No Planalto, fechou com o governador Aécio Neves (PSDB-MG) uma espécie de pacto no sentido de evitar a antecipação do processo eleitoral no país.
Ontem, em fala de improviso num palanque erguido às margens do Rio Jaguaribe e da barragem recém-inaugurada que leva o nome da cidade, o presidente voltou a tratar do tema. Afirmou que "este é o momento de pensar no Brasil", independentemente, segundo ele, do partido de governadores e prefeitos.



