Macapá, AP (Folhapress) No momento em que aparece atrás do prefeito José Serra (PSDB-SP) nas pesquisas de intenção de voto para as eleições do ano que vem e repete que ainda não decidiu por sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem em Macapá (AP) que um mandato de quatro anos é "muito pouco" para quem está no governo.
Durante evento de lançamento das obras do novo aeroporto da capital do estado, como tem feito em recentes discursos, Lula mais uma vez sinalizou que sua passagem no Palácio do Planalto termina mesmo em 31 de dezembro de 2006.
O presidente cobrou ainda "juízo" da oposição para não transformar numa "guerra" a corrida eleitoral. "Porque senão será o pior dos mundos (...) se as pessoas não tiverem juízo para que façam uma disputa eleitoral e não uma guerra contra o desenvolvimento de estado, da nação ou de uma cidade", afirmou.
Mais tarde, ao explicar a declaração, o presidente disse que a oposição "não sabe esperar". "Todas as vezes que eu perdi eleição, eu me acomodei como derrotado esperando pelas próximas eleições. Agora, tem gente que não sabe esperar", disse.
Sucessor
Durante o discurso, ele admitiu que não quer ver um eventual sucessor inaugurar suas obras.
"Tenha a certeza que aqui voltarei outras vezes, sobretudo para inaugurar esse aeroporto. Porque não pode ser em janeiro de 2007. Ele tem que ser inaugurado ainda em 2006, porque nós precisamos colher aquilo que nós plantamos. Não vamos deixar para ninguém colher a semente que nós botamos na terra", afirmou o presidente, a cerca de 500 pessoas que foram ao aeroporto da cidade.
A platéia do evento seguidamente aplaudiu o presidente e gritava: "Presidente, guerreiro, do povo brasileiro". Como de costume nessas circunstâncias, Lula dispensou o discurso preparado por sua assessoria e, de improviso, falou por meia hora. Estava acompanhado de quatro ministros, do governador Waldez Góes (PDT) e do senador José Sarney (PMDB-AP).
Os primeiros 20 minutos da fala foram reservadas a assuntos locais, com promessas de obras, repasses de verbas e elogios ao estado. Depois, disse que o governo não fez "barulho" e "bravata" para quitar a dívida do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI). E, ao final, passou a tratar de eleição, pedindo aos presentes que "não permitam que o processo eleitoral do ano que vem possa atrapalhar" o desenvolvimento local.
Lula, então, traçou as dificuldades que teve em sua gestão. E foi com esse gancho que lamentou o intervalo de quatro anos para governar o país.
"E a eleição na capital é quase como uma eleição no estado, porque envolve muitos interesses e muita disputa política. Ou seja, é praticamente meio ano dedicado às eleições. Depois ele tem 2005 para governar. Acontece que quatro anos para quem está governando é muito pouco. Mas para quem está na oposição quatro anos é uma eternidade."



