O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de elogiar, em entrevista concedida na saída da Granja do Torto, neste sábado, a escolha do economista bengalês Muhammad Yunus como o ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2006. Yunnus, que fundou o Grameen Bank e é apelidado de "banqueiro dos pobres", foi escolhido pelo Comitê Norueguês do Nobel por seu esforço para retirar milhões da pobreza.
- Estou feliz porque o prêmio Nobel foi dado a uma pessoa que defende os pobres. Foi uma demonstração de que valeu a pena agente colocar a fome na discussão mundial, trazer esse problema para discutir na OMC (Organização Mundial do Comércio), na ONU, nas reuniões do FMI. Senão a gente só discute os temas que eles desejam - disse Lula.
O presidente comentou que disse ao seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que eles iriam mudar a geografia comercial do mundo, fazendo parceira não só com os Estados Unidos e a Europa, mas incluindo novos aliados como os países da Ásia, da América latina e do Sul e o continente africano. Lula afirmou que seu governo conseguiu aliados como a China, a Índia e países das américas e da África.
- Hoje estamos melhorando a situação comercial e estamos combatendo a fome. Vocês não imaginam a alegria que tive ao ver os dados da PNAD que mostra a redução de 20% da pobreza no Brasil. Com o carro andando fica muito mais fácil a gente acelerar do que se ele estivesse parado - disse Lula.
Indagado se acreditava ter tido algum tipo de influência na escolha do prêmio Nobel da Paz, Lula negou:
- Não, não. Só estou dizendo que a causa é nobre. Não tem nada melhor para fazer um mundo de paz que as pessoas tomando café da manhã, almoçando e jantando. De barriga cheia as pessoas vão ser mais felizes e vai diminuir o terrorismo.
Yunus, de 66 anos, estabeleceu em 1976, um novo tipo de sistema bancário voltado para atender aos necessitados, particularmente mulheres, em seu país natal, Bangladesh, permitindo que os bengaleses iniciem pequenos negócios com maior facilidade. Com a iniciativa, ele foi o pioneiro de um modelo exaustivamente copiado por mais de cem países, dos Estados Unidos a Uganda.
- É uma grande alegria para mim e para meu país. Agora, a guerra contra a pobreza atravessou o mundo e consolidará o combate à questão por meio do microcrédito em muitos países. Não deveria haver pobreza, em lugar nenhum - disse Yunus em sua casa em Dhaka.
Leia mais: O Globo Online



