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Recuperado

Lula teve mais medo de perder a voz que de morrer

 | Ricardo Stuckert/Instituto Lula
(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista exclusiva concedida ao jornal Folha de S.Paulo, que com a descoberta do câncer na laringe, mais do que morrer, teve medo de perder a voz. Lula comparou o tratamento, com sessões de quimioterapia e radioterapia, a uma bomba de Hiroshima.

Na entrevista, o ex-presidente revelou que teve a exata noção do que o ex-vice-presidente José Alencar (que morreu de câncer no ano passado) passou. Ele ainda afirmou que a náusea provocada pelo tratamento era insuportável.

Lula contou também que chegou a pedir a seu médico pessoal, Roberto Kalil, que o trancasse num freezer, como se faz com um carpaccio, "onde se pega um contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e quando está congelado, você corta e faz o carpaccio."

Ainda com a garganta dolorida e 16 quilos mais magro, o ex-presidente disse que não vê a hora de acordar e poder comer pão com a casca dura "sem ter de fazer sopinha". Na entrevista, Lula ainda confessa não ter mais vontade de levar uma vida tão agitada como antes, mas que não vai deixar de trabalhar, apenas vai fazer menos coisas, com mais qualidade, como participar de eleições de forma mais seletiva.

Ele afirma que as decisões virão com o tempo e que nunca mais terá uma agenda tão atribulada como a que teve durante os dez meses que sucederam sua saída do governo.

Em relação às eleições de 2014, Lula disse que não vai disputar cargo algum e que sua vontade é de ajudar a presidente Dilma Rousseff a ser a melhor presidente que o Brasil já teve. Ele afirma que Dilma só não será candidata à reeleição se não quiser, já que é direito garantido pela Constituição e que para ele será um imenso prazer em trabalhar para que a atual presidente continue no governo.

Reação

Os tucanos reagiram a declarações feitas por Lula a interlocutores. Na fala, o ex-presidente se refere a Serra como um "político de ontem com ideias de anteontem". Para rebater Lula, os tucanos voltaram a artilharia para o candidato petista a prefeito da capital, Fernando Haddad.

"O Lula é esperto, mas o truque dele é velho e o Serra não nasceu ontem, para cair nesta armadilha", reagiu o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Maior expoente do grupo serrista no Senado, Nunes diz que o problema de Lula é ter "um candidato cujas ideias não se conhece e cujas realizações têm o padrão de qualidade das trapalhadas do Enem, patrocinadas por ele mesmo no Ministério da Educação".

Para o senador, o ex-presidente está querendo "chamar o Serra para a briga", mas não se pode perder o foco de que a disputa é contra o Haddad, definido por ele como um candidato que não consegue dar um passo sem que o padrinho o segure pelas mãos.

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