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Mais 3 diretores do Senado são afastados

Sarney enviou carta aos senadores para se defender sobre a participação do neto dele na intermediação de empréstimos a servidores

“Quando assumi a presidência em fevereiro, a Sarcris já estava descredenciada pelo HSBC e não operava mais no Senado.” José Sarney, presidente do Senado, em carta enviada aos senadores | Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
“Quando assumi a presidência em fevereiro, a Sarcris já estava descredenciada pelo HSBC e não operava mais no Senado.” José Sarney, presidente do Senado, em carta enviada aos senadores (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Brasília - Na tentativa de colocar panos-quentes na crise que se abateu sobre o Senado sob a presidência de José Sarney (PMDB-AP), mais três diretores foram afastados ontem do cargo. São eles: o diretor da Secretaria de Patrimônio, Aloysio Novais Teixeira; o diretor da Secretaria de Coordenação e Execução, Sebastião Fernandes Neto; e o diretor da Secretaria de Controle Interno, Shalon Granato.

De acordo com a assessoria do primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), a saída dos diretores visa deixar o novo diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra, à vontade para montar sua equipe. A assessoria informou ainda que Shalon Granato pediu para deixar o cargo. Os três diretores exonerados do cargo eram ligados ao ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, envolvido nas denúncias sobre os atos secretos do Senado.

Carta

O presidente do Senado enviou na semana passada carta aos senadores com o intuito de se defender sobre a participação de seu neto José Adriano Sarney (sócio da empresa Sarcris) na intermediação de operações de crédito consignado do HSBC a servidores do Senado. Sarney cita a reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, que trouxe o caso a público, e diz que sua intenção com a carta é "repor a verdade dos fatos".

Na carta, datada de 26 de junho, o presidente do Senado diz que a autorização do Senado para operar em crédito consignado com o HSBC é de maio de 2005, quando ele não ocupava nenhum cargo na Casa. A empresa Sarcris começou a operar, segundo Sarney, em 11 de setembro, "portanto, dois anos depois da autorização". A carta foi acompanhada de nota do banco HSBC, que confirma as datas mencionadas. "A Sarcris foi cadastrada em 9 de maio de 2007 e registrada para operar no Senado em nome do HSBC, em 11 de setembro de 2007. Entre o final de 2008 e fevereiro de 2009, o HSBC desativou todas as parcerias com aqueles seis correspondentes, inclusive a Sarcris", diz a nota do HSBC anexada à carta enviada por Sarney aos senadores.

"Quando assumi a presidência em fevereiro, a Sarcris já estava descredenciada pelo HSBC e não operava mais no Senado", afirma o presidente da Casa. "Nenhuma ligação pode ser feita entre a minha presidência e o fato objeto da reportagem", alega.

Apoio absoluto

O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou ontem que o apoio do governo ao presidente do Senado, José Sarney, "é absoluto". Segundo Múcio, no fim de semana o quadro envolvendo acusações contra o senador não evoluiu e as denúncias estão sendo apuradas. "Estive com ele (Sarney) e ele me disse que está apurando, e estamos aguardando soluções", declarou Múcio, na saída da reunião de coordenação política, no Centro Cultural Banco do Brasil, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Múcio, "em hipótese alguma se cogita a saída de Sarney" da presidência do Senado.

Sarney é um dos senadores citados entre os que teriam parentes beneficiados por meio de atos secretos adotados para criação de cargos, nomeações e aumentos salariais na Casa. Entre parentes do presidente do Senado que teriam sido beneficiados por medidas sigilosas estão uma cunhada, uma nora e duas sobrinhas.

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