A primeira rebelião deste ano no complexo Tatuapé da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) terminou com 62 feridos - 44 funcionários da instituição e 18 internos. O motim, que começou na noite de terça-feira e só terminou na manhã de hoje, só foi dominado quando a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu o complexo pelo telhado e os policiais passaram a disparar balas de borracha para conter a ira dos adolescentes.
No meio da tarde, quando seguranças da Febem e a Tropa de Choque já faziam a triagem dos internos, um grupo de 90 jovens da unidade 20 decidiu desafiar mais uma vez. Os adolescentes atearam fogo em colchões e móveis da unidade, subiram no telhado e passaram a jogar entulho para baixo. O tumulto durou meia hora e foi controlado pela Polícia Militar, mas deixou mais 5 feridos - três funcionários da unidade e dois adolescentes. Os 5 foram encaminhados ao Pronto Socorro do Tatuapé.
Durante as cerca de 10 horas que durou a rebelião, 41 funcionários da Febem foram reféns dos internos. Dentro do complexo, uma equipe de três médicos e 12 enfermeiros fizeram a triagem em 460 adolescentes que participaram da rebelião. Segundo a Febem, as sete unidades rebeladas não abrigavam 600 menores, como chegou a ser informado pela manhã. pois tinham capacidade ociosa.
Dois agentes de segurança da instituição continuam internados e sofreram fraturas. Um deles foi mantido refém e quebrou o pé ao pular do telhado para fugir dos rebelados. O outro quebrou o braço.
A Febem também não sabe se será preciso transferir internos para outras unidades por conta dos danos causados às instalações. Previsto para ser desativado pelo governo do estado até o fim do ano, o Complexo Tatuapé da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) teve boa parte dos prédios destruída.
O motim começou por volta das 21h30m de terça-feira, depois de uma briga entre os menores e tentativa de fuga, e se estendeu durante toda a madrugada, quando os internos começaram a depredar as unidades e colocar fogo em colchões. De acordo com a PM, 41 funcionários foram feitos reféns, mas a Febem só confirmou 26.
Das 14 unidades do complexo da Febem Tatuapé, sete se rebelaram - 1, 2, 12, 13, 14, 15 e 23. Segundo a assessoria da instituição, os internos envolvidos têm entre 16 e 18 anos e que cometeram delitos considerados graves.
A enfermeira Clotilde Almeida, que conseguiu sair no início da rebelião, afirma que os funcionários só entram para trabalhar com a concordância dos internos.
- Os adolescentes estão largados, fazem o que quer. Eles é que mandam. Só entra na unidade se eles quiserem, se não quiserem, você não entra para trabalhar - afirmou Clotilde, acrescentando que antigamente os menores participavam de aulas e atividades e que, agora, só ficam trancados.
Conceição Paganelle, presidente da Associação das Mães, afirma que nos últimos meses os internos voltaram a ser espancados e torturados.
Na semana passada, num de seus últimos atos à frente do governo do estado, Geraldo Alckmin derrubou uma parede do complexo num ato simbólico e prometeu desativar a Febem Tatuapé até o fim deste ano.
O complexo tem cerca de 1.200 internos atualmente, mas este número já chegou a 1.600. A rebelião de hoje foi a primeira no Tatuapé este ano e a Febem contabiliza de janeiro até agora 67 fugas, com 32 dos menores recapturados.
No ano passado foram 34 rebeliões com reféns, 43 motins e fugas de 1.294 internos. O número de menores que conseguiram fugir de fato e não foram recapturados chega a 663 - total que equivale à metade dos que estão hoje nas 14 unidades do complexo do Tatuapé.



