
A senadora e pré-candidata à Presidência Marina Silva (PV-AC) criticou ontem o que chamou de "apologia do medo" durante a campanha eleitoral deste ano. A afirmação faz referência às acusações trocadas entre seus dois principais, os pré-candidatos Dilma Roussef (PT) e José Serra (PSDB). Enquanto Dilma ataca as privatizações feitas durante a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso, Serra critica o discurso petista que, segundo ele, divide o país em classes e regiões."Espero que, depois de tanta luta de democracia, a gente não faça agora a apologia do medo. O Brasil que elegeu um sociólogo e um antropólogo está pronto para o debate de ideias legítimo e fraterno, para que não se crie o estereótipo do medo. O medo daqueles que querem dividir o Brasil e o medo daqueles que querem entregar o Brasil", afirmou Marina, em pré-convenção do PV realizada ontem em São Paulo. Por descuido, a senadora se referiu a Lula como "antropólogo" mais tarde, sua assessoria disse que Marina pretendia dizer "operário".
Para Marina, o país não precisa de gerentes e, sim, de pessoas com visão estratégica. "O Brasil tem o desafio de cumprir suas metas de redução de carbono, traduzindo isso na agricultura, na indústria, na geração de energia." A pré-candidata do PV reconheceu os avanços nas políticas sociais dos governos anteriores e acrescentou que não é necessário mudar, mas, "dar um passo à frente". "Saímos da cesta básica para a transferência direta de renda. Agora, nós vamos além, sem desistir dela. Vamos transitar para a inclusão produtiva, em que se aposta na educação, no treinamento e na capacitação das pessoas com uma cesta de oportunidades para que elas possam se incluir produtivamente."Sobre política externa, a senadora disse ter enxergado avanços no governo atual, citando o "olhar para a África" e para outras regiões do mundo "que não eram priorizadas", mas classificou como "preocupante" a audiência dada ao presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad e criticou, ainda, a "relativização de questões fundamentais de diretos humanos", fazendo referência aos presos políticos de Cuba.
Ontem à noite, Marina Silva se reuniu com o cineasta James Cameron, diretor de Avatar, que está no Brasil divulgando o DVD do filme. "Impossível não fazer as conexões entre o mundo de Pandora, em Avatar, e nossa história no Acre", afirmou Marina em seu perfil no Twitter.



