
São Paulo - Uma inserção publicitária exibida na propaganda eleitoral televisiva da candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, criou a primeira grande polêmica do segundo turno na capital paulista. A propaganda faz insinuações sobre a vida pessoal de seu adversário, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), ao questionar se o eleitor sabe se ele é casado ou tem filhos. O prefeito, de 48 anos, é solteiro e não tem filhos.
Kassab classificou de "grande equívoco" a inserção publicitária. Ele minimizou a importância da vida pessoal de candidatos nas eleições. "Se é solteiro, viúvo, divorciado, se tem filhos ou não, é questão de foro íntimo. O importante é o preparo, a integridade, o caráter", afirmou. "Não é a vida pessoal que define se a pessoa é mais bem preparada ou não para administrar São Paulo." A coordenação da campanha de Kassab afirmou ter acionado a Justiça Eleitoral para tentar proibir a propaganda, que taxou de "lamentável e de baixo nível". Associações de direitos dos homossexuais também protestaram contra a propaganda.
Diante da má repercussão da propaganda, Marta disse que ela era de responsabilidade do marketing da sua campanha. "A decisão está na mão do marqueteiro. (...) Eu nem vi a campanha no ar", disse ela. Marta, que se notabilizou por defender os homossexuais, negou que a propaganda tenha insinuações veladas sobre a vida pessoal do prefeito. "Sou uma pessoa contra o preconceito. Da minha boca vocês nunca vão ouvir uma palavra de preconceito. (...) Mas eu acho que estão interpretando demais."
Ela afirmou ainda que que a intenção do questionamento levado ao ar foi revelar a trajetória política de Kassab e suas alianças com os ex-prefeitos Celso Pitta e Paulo Maluf.
A coordenação da campanha de Marta divulgou nota durante o dia na qual também defende a propaganda. Na nota, o PT explica que a equipe de marketing, ao questionar o estado civil do prefeito, "apenas defendeu o legítimo direito do eleitor" de conhecer a história de "quem se apresenta para governar a maior cidade do país".
Apesar disso, o maior cabo eleitoral de Marta, o presidente Lula, reprovou em conversa com assessores o comportamento da campanha da candidata. À noite, a coordenação da campanha de Marta voltou atrás e informou que vai retirar a propaganda do ar.
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