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Decisão judicial

Mensalão faz presidente da Sercomtel ser afastado

Roberto Coutinho nega ter se aproveitado do cargo | Luiz Jacob/Divulgação
Roberto Coutinho nega ter se aproveitado do cargo (Foto: Luiz Jacob/Divulgação)

O presidente da Sercomtel, Roberto Coutinho, foi afastado ontem do cargo por determinação judicial. Na segunda-feira, ele e outras cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Estadual por formação de quadrilha e corrupção ativa, num esquema de compra de votos dos vereadores de Londrina.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao MP, pediu a prisão preventiva de Coutinho, alegando que em liberdade ele poderia prejudicar as investigações. Entretanto, o juiz da 3ª Vara Criminal, Katsujo Nakadamori, entendeu que o afastamento do cargo era suficiente para garantir a apuração. O afastamento é por tempo indeterminado, até que a ação seja julgada.

A vice-presidente da Sercomtel, Heloísa Pinheiro, funcionária de carreira, assume a presidência interinamente. Ela foi indicada ao cargo pela Copel, sócia da empresa de telefonia. Heloísa fica no cargo até que Coutinho reverta a liminar ou que a prefeitura, sócia majoritária, indique um novo presidente. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da prefeitura de Londrina ontem.

"A decisão não acolheu o que entendíamos ser o mais adequado. Todavia, é muito importante, porque o afastamento também contribui para evitar malefícios maiores ao processo", afirmou o promotor Cláudio Esteves, que assinou a denúncia sobre a compra de votos.

A situação de Coutinho é semelhante a do vereador Eloir Valença (PHS), que chegou a ser preso. Ele foi libertado, mas a Justiça determinou o afastamento dele da Câmara Municipal. Dos seis denunciados, Valença é o único acusado de corrupção passiva.

A decisão do juiz levou em conta três situações: Coutinho depôs três vezes ao Gaeco acompanhado de advogados da empresa; usou a assessoria de imprensa e o site da Sercomtel para divulgar nota em sua defesa; e a Sercomtel não atendeu de forma adequada os pedidos de interceptação telefônica autorizados pela Justiça. Segundo o MP, outras empresas de telefonia atenderam os pedidos no prazo de dois dias. A Sercomtel levou sete dias, e só implantou os grampos a partir de 26 de abril, dois dias depois que o esquema do mensalão de Londrina veio à tona.

Entenda o caso

Roberto Coutinho teria sacado R$ 5 mil de sua conta bancária pessoal para o pagamento de propina ao vereador Amauri Cardoso (PSDB). Além dele, foram denunciados o ex-secretário municipal Marco Cito, o diretor da Sercomtel Alyssson de Carvalho, o chefe de gabinete do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), Rogério Ortega, o vereador afastado Eloir Valença e o ex-funcionário público Ludovico Bonato. Cito e Bonato foram presos em flagrante no dia 24 de abril, ao entregarem R$ 20 mil ao vereador do PSDB.

Em nota divulgada na terça-feira, Coutinho informou que o empréstimo a Carvalho foi de "natureza particular, não envolvendo de qualquer forma a empresa". Segundo a nota, os controles financeiros da Sercomtel são rígidos e obedecem a procedimentos transparentes e legais. Coutinho ressaltou ainda que os fatos veiculados, de maneira alguma, abalam ou alteram a operação do Grupo Sercomtel. "Todas as atividades caminham de forma absolutamente normal, sem que seja afetado um só segmento da empresa."

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