Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Mensalão do DEM

MP demora a levar Arruda à Justiça

Caso espera há pelo menos seis meses por iniciativa de procuradores, que reclamam de trabalho malfeito pela Polícia Federal

Ex-governador do DF, José Roberto Arruda, é apontado pela PGR como chefe do esquema que ficou conhecido como "mensalão do DEM" | Wilson Dias/Abr
Ex-governador do DF, José Roberto Arruda, é apontado pela PGR como chefe do esquema que ficou conhecido como "mensalão do DEM" (Foto: Wilson Dias/Abr)

Brasília - O escândalo do "mensalão do DEM" no Distrito Federal, um dos maiores casos de corrupção da política brasileira, espera, há pelo menos seis meses, pela iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) de denunciar os envolvidos à Justiça. Neste período, abriu-se uma crise provocada por divergências entre os integrantes do MPF e da Polícia Federal (PF) – que na teoria são parceiros –, cabendo ao primeiro preparar uma eventual ação judicial contra os acusados. O inquérito ainda tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A PF encerrou as investigações em abril, sete meses após a abertura do inquérito, e entregou em agosto seu relatório final no qual aponta o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM) como o chefe de uma "organização criminosa" para desviar recursos públicos por meio de empresas contratadas pelo seu governo. O caso ganhou repercussão nacional em novembro de 2009 por causa dos vídeos em que políticos, entre eles Arruda, recebiam dinheiro vivo oriundo de recursos públicos.

De lá para cá, os investigados começaram a retomar suas atividades. Alguns, inclusive, no atual governo de Agnelo Queiroz (PT). Desde então, Arruda, cassado e preso durante o inquérito, foi visto em Nova York e numa praia da Bahia. A reportagem conversou com pessoas ligadas à investigação.

A Procuradoria-Geral da República, representante do Ministério Público no inquérito, considerou insatisfatório o relatório da PF. Para os procuradores, o documento tem pontos vagos e pouco avançou em relação à megaoperação policial realizada em novembro de 2009 com base nos depoimentos de Durval Barbosa, delator do esquema.

Integrantes da procuradoria reclamam, por exemplo, dos métodos da PF e da sua demora em realizar a perícia no material apreendido. Esses elementos, avaliam os procuradores, contribuíram para a demora em elaborar uma denúncia consistente à Justiça. A missão na PGR é preparar algo ainda neste semestre.

A equipe do delegado Alfredo Junqueira, responsável pelo caso na polícia, considera que cumpriu sua missão e que a "Caixa de Pandora", nome dado à operação, é um caso encerrado na Polícia Federal. Segundo palavras de um agente policial, a PF "fez sua parte". Os policiais não têm acesso à investigação desde abril, quando devolveram os autos à Justiça. No dia 9 de agosto, o relatório assinado pelo delegado foi enviado ao STJ.

O ministro do STJ Arnaldo Esteves, que comanda o inquérito, relata a amigos que se mantém longe do processo. Ele assumiu o caso após o colega Fernando Gonçalves, seu antecessor nos autos, aposentar-se em abril. Esteves acredita que a investigação poderá sair do STJ caso o Tribunal de Contas do DF conclua a apuração do envolvimento do conselheiro Domingos Lamoglia no escândalo. Aliado de Arruda, ele foi afastado do cargo. A investigação só está no STJ porque Lamoglia tem foro privilegiado.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.