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Novas denúncias contra Cunha apontam enriquecimento rápido e fortuna oculta

Presidente da Câmara teria declarado na Suíça US$ 16 milhões de patrimônio, 37 vezes superior ao informado à Justiça Eleitoral no Brasil

Eduardo Cunha: evolução patrimonial declarada noBrasil seria de 244%. | Antônio Cruz/Agência Brasil
Eduardo Cunha: evolução patrimonial declarada noBrasil seria de 244%. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi alvo de um novo bombardeio de denúncias nesta sexta-feira (16).

Há indícios suficientes de que as contas no exterior não foram declaradas pelas pessoas mencionadas, ao menos em relação a Eduardo Cunha, e de que são produto de crime.

Eugênio Aragão, procurador-geral da República interino.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo bloqueio de duas contas bancárias mantidas no banco suíço Julius Bäer atribuídas a Cunha. Uma das contas está em nome da esposa do peemedebista, Cláudia Cordeiro Cruz. Além disso, a PGR diz que em 12 anos, a evolução patrimonial do deputado foi de 214%.

De acordo com a PGR, a solicitação de sequestro dos valores é necessária já que o processo foi encaminhado pela Suíça ao Brasil e há “a possibilidade concreta de que ocorra o desbloqueio das contas, com a consequente dissipação dos valores depositados nas contas bancárias estrangeiras”. O processo foi transferido para a PGR já que o presidente da Câmara é brasileiro, está no país e não poderia ser extraditado para a Suíça.

No pedido, o procurador-geral da República em exercício, Eugênio Aragão, diz que não há dúvidas em relação à titularidade das contas. “Há cópias de passaportes – inclusive diplomáticos – do casal, endereço residencial, números de telefones do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto”, diz.

Patrimônio

Segundo o Ministério Público Federal, o patrimônio estimado de Cunha, à época da abertura da conta na Suíça, era de aproximadamente US$ 16 milhões (R$ 62 milhões), ou 37 vezes superior ao declarado à Justiça Eleitoral no Brasil, de R$ 1,6 milhão.

A Procuradoria-Geral da República aponta ainda a evolução patrimonial de 214%, declaradas no Brasil entre os anos de 2002 e 2014, como outro forte indicativo do recebimento de propina.

Em 2002, o valor declarado era de R$ 525.768,00. Para Aragão, há indícios suficientes de que as contas no exterior não foram declaradas e, ao menos em relação a Eduardo Cunha, “são produto de crime”.

O bloqueio das contas ainda precisa ser autorizado pelo ministro do STF, Teori Zavascki. Na quinta-feira(15) o ministro autorizou abertura de um novo inquérito contra Cunha, que também vai investigar a esposa e uma das filhas do parlamentar –elas seriam os beneficiários finais das contas secretas na Suíça. Pesam contra eles as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com a Procuradoria, Claudia e as empresas do casal (Jesus.com e C3 Produções) têm oito carros registrados, que teriam preço médio que variam de R$ 18 mil a R$ 430 mil (um Porshe Cayenne ano 2013). Os procuradores destacam que ao abrir conta em um banco da Suíça, a mulher do deputado afirmou que “era dona de casa”.

As autoridades do país europeu bloquearam em abril um valor que, em reais e no câmbio atual, chega a aproximadamente R$ 9,6 milhões.

Além das contas que são objeto do inquérito, outras duas que tinham como beneficiário Cunha foram mencionadas pela Suíça: Orion SP e Triumph SP. Ambas foram fechadas pelo investigado um pouco depois da deflagração da Operação Lava Jato.

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