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Tragédia

Objetos de vítimas do acidente da Gol devolvidos: "Razão é sentimental", diz promotor

Em torno de 10 mil objetos dos passageiros e tripulantes do Boeing da Gol que se chocou com um jato Legacy no norte do Mato Grosso, em 29 de setembro, começarão a ser devolvidos na próxima semana às famílias pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). No acidente do vôo 1907, morreram 154 pessoas, na maior tragédia da aviação comercial brasileira.

Segundo o promotor Diaulas Costa Ribeiro, responsável pelo processo de devolução, o objetivo da entrega é "afetiva", já que a maioria dos objetos está destruída. O material foi recolhido pelo Comando da Aeronáutica e entregue à Gol, que, por sua vez, encaminhou-o ao MP.

" Tudo o que foi encontrado está inutilizado, deteriorado, sem condição de uso "

- É impossível que as malas tenham sido encontradas fechadas. Não tem nada íntegro. Tudo o que foi encontrado está inutilizado, deteriorado, sem condição de uso. A devolução será feita por razão sentimental - disse o promotor.

Entre os pertences encontrados, estão dezenas de laptops, 150 pares de meias, 100 pares de sapatos, documentos, roupas, brinquedos e dois telefones celulares. Segundo Ribeiro, os celulares e cinco ou seis relógios da marca Dumont, que teriam sido comprados recentemente, estão em condições de uso. Todos os objetos foram limpos e passaram por um processo de descontaminação para retirada de resíduos da fauna local, principalmente fungos.

Há objetos identificados como de 108 passageiros, entre eles documentos, livros com a assinatura do dono, eletrônicos e roupas (principalmente de militares) com nomes gravados.Material será enviado pelos Correios

Diaulas Costa Ribeiro, promotor de Justiça, durante entrevista sobre os pertences das vítimas do acidente do vôo 1907 da Gol - Givaldo Barbosa/O Globo Todas as famílias começaram a ser contatadas pelo MP na quinta-feira e começarão a receber os itens a partir da próxima segunda-feira. Os familiares dirão se querem ou não receber o material, que será encaminhado pelos Correios ao familiar autorizado a receber o seguro do acidente. O promotor tem todas as 154 certidões de óbito e, entre as famílias que não acessaram o seguro, será consultado o familiar registrado como primeiro herdeiro.

" Só as famílias que quiserem irão receber. "

- Estamos enviando cartas e e-mails para todas as famílias e preparando as famílias para receber esse material pelo correio. Só as famílias que quiserem irão receber. Aquelas que não quiserem, não vão receber - disse Ribeiro.

Há entre os objetos dezenas de meias pretas e brancas e outros itens que não tiveram seus donos identificados. Esses, foram fotografados e as imagens serão enviadas, via e-mail, às famílias para que estas ajudem na classificação. Aqueles que sobrarem, que não tiverem sido reclamados ou que tiverem sido rejeitados pelas famílias serão doados, entre os que tiverem utilidade. Os demais, serão destruídos. A família terá 60 dias, a partir da notificação, para se manifestar sobre a intenção de receber ou não o objeto.

O material está armazenado em um galpão do Aeroporto Internacional de Brasília e, de acordo com o MP, não será, em hipótese alguma, entregue pessoalmente. As famílias devem entrar em contato com o Ministério Público pelo e-mail informegol@mpdft.gov.brFamílias receberão amostras de 'cinzas coletivas'

Resíduos de tecidos de vítimas foram cremados e amostras das cinzas oferecidas às famílias. Os restos mortais, que estavam no Instituto Médico-Legal (IML) de Brasília, eram muito pequenos e não possibilitavam a identificação da vítima. Por isso, depois de identificado o último passageiro, deixaram de ser resíduos de perícia, e deveriam deixar o IML.

Segundo o promotor Diaulas Costa Ribeiro, tradicionalmente, o Ministério Público incinera esse tipo de material em fornos específicos para restos hospitalares. Neste caso, entretanto, Ribeiro optou pela cremação, que resultou em "cinzas coletivas".

- Quem quiser, vai receber uma amostra simbólica, de 10g a 15g - explicou Ribeiro.

O restante, segundo ele, será pulverizado em um ato simbólico a ser organizado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios em uma data a ser definida. O local será, provavelmente, o Jardim Botânico de Brasília.

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