
A Operação Ararath, que teve a quinta fase deflagrada pela Polícia Federal (PF) ontem em Mato Grosso (MT), investiga um esquema que teria ramificações em todos os Poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e até no Ministério Público do estado. O próprio governador Silval Barbosa (PMDB), que foi alvo de buscas em seu apartamento, foi detido por posse ilegal de arma, mas pagou fiança e foi liberado. Também foram presos o empresário e exsecretário de Estado Éder de Moraes Dias e o deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa.
O governador foi levado para a PF em Cuiabá, e Moraes e Riva seriam transferidos para a PF em Brasília. O advogado do governador, Ulisses Rabaneda, disse que o governador foi à PF para "tomar conhecimento do processo". Já o defensor de Moraes, Paulo Lessa, disse que ainda estava se informando sobre as suspeitas contra seu cliente. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Riva.
A pedido da Procuradoria-Geral da República, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a PF de divulgar qualquer informação à imprensa sobre essa fase da operação. Não há, portanto, informações oficiais sobre a suposta participação de cada um dos suspeitos. Sabe-se que a operação investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Recursos públicos teriam sido desviados e "lavados" por meio de factorings, empresas que compram com deságio duplicatas e cheques pré-datados.
A emissão de cartas de crédito a servidores públicos de Mato Grosso e o pagamento de milionários precatórios judiciais a empreiteiras pelo governo de MT também são alvo da investigação. O suposto esquema teria movimentado R$ 500 milhões em seis anos.
Uma das testemunhas chave da operação é o empresário Gércio Marcelino Mendonça Junior, dono da factoring Globo Fomento Mercantil. Em nota assinada por seus advogados, o empresário confirmou que fechou um acordo de delação premiada (quando o investigado fornece informações em troca de benefícios na acusação) com a PF e o Ministério Público Federal. Disse, contudo, que não poderia fornecer mais dados para não prejudicar a investigação.
Investigação
Ex-secretário das pastas da Fazenda e da Casa Civil, Moraes é uma figura central no suposto esquema, segundo as investigações da PF. Filiado ao PMDB, ele tem participações nos governos Barbosa e Blairo Maggi (PR).



