
Líderes da oposição criticaram ontem o eventual retorno de Paulo Lacerda para a direção-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) depois que o laudo da Polícia Federal mostrou que equipamentos da agência não têm capacidade de realizar escutas telefônicas. Lacerda foi afastado do cargo após a revelação de que o telefone celular do presidente do STF, Gilmar Mendes, foi grampeado.
O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), afirmou que a readmissão de Lacerda no comando da agência representa um "golpe à segurança jurídica do país".
"O delegado Paulo Lacerda e os demais diretores foram afastados porque o ministro da Defesa acusou a Abin de ter adquirido maletas que permitem escutas clandestinas, embora a agência não tenha autorização legal para grampear telefones. Além disso, a diretoria cedeu 52 agentes de forma irregular para a Polícia Federal que participaram de grampos ilegais de conversas telefônicas de deputados, senadores e de autoridades do Poder Judiciário", afirmou o democrata.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que não está convencido a respeito da inocência de Lacerda, uma vez que as suspeitas sobre o diretor-afastado ainda são grandes. "São suspeitas que não podem ser resolvidas apenas por um laudo. Sugiro ao presidente da República que aguarde o resultado por inteiro das investigações. Seria precipitada qualquer atitude que viesse coonestar fatos ainda não suficientemente esclarecidos."



