
A Câmara Municipal de Londrina retirou da pauta de ontem a votação daquele que seria o quarto pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra o prefeito Barbosa Neto (PDT). O vereador Eloir Valença (PHS), que seria o fiel da balança na votação, não compareceu ao plenário. Os vereadores da oposição requisitaram a retirada de pauta e o pedido da CP foi transferido para a sessão da próxima terça-feira.
A oposição justificou que a retirada de pauta do pedido de abertura da CP daria a Valença a oportunidade de votar a matéria. Para ser aprovada, a CP precisa de 13 votos favoráveis. Nos bastidores, a oposição já conta com 12. O partido de Valença é a favor da investigação contra Barbosa, mas o parlamentar tem se aproximado da gestão do prefeito. "O vereador não se encontra em plenário e o PHS esteve hoje em Londrina comunicando a sua posição. Estamos dando a oportunidade para que Valença expresse o seu voto", declarou o vereador Joel Garcia (PP). "Vamos aguardar porque ele é o 13º voto", completou.
O pedido da CP da Centronic foi protocolado pelo PMN com base no relatório de supostas irregularidades envolvendo dois trabalhadores da empresa de vigilância, investigadas pela Câmara no ano passado. O relatório encontrou provas materiais de que dois vigias da Centronic, pagos com recursos públicos, trabalhavam na Rádio Brasil Sul, de propriedade de Barbosa Neto.
A Câmara também descobriu que os holerites de quase todo o quadro de funcionários da Centronic apresentavam a inscrição "prefeitura de Londrina". A fraude, segundo a investigação, maquiava o fato de que a empresa não tinha vigilantes no número previsto em contrato. Assim, os funcionários do escritório da empresa eram contabilizados como seguranças da prefeitura.
"Sem irregularidades"
Barbosa Neto, que esteve ontem em Curitiba para acompanhar um evento com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse não estar preocupado com a possibilidade de abertura dessa CP. "A prova mais patente da nossa inocência é que a Justiça do Trabalho, que é temida por todos os patrões, não colocou nenhum tipo de senão em relação à participação desses vigilantes", afirmou. Segundo ele, a rádio fazia permuta com a Centronic, trocando publicidade por serviços. "Esses vigilantes faziam rodízios e trabalhavam eventualmente na prefeitura, assim como em outras empresas", explicou.
Barbosa Neto já enfrentou outros três pedidos de investi . Todos foram arquivados pela Câmara porque a oposição não obteve os votos necessários. Em maio do ano passado, a Câmara arquivou o pedido de CP no caso em que o prefeito foi acusado de fazer promoção pessoal na festa de réveillon realizada pela prefeitura em 2010. Em outubro, os vereadores rejeitaram o pedido de abertura da CP da Guarda Municipal, que apontava irregularidades na contratação de empresa para o treinamento dos guardas. E o terceiro pedido engavetado foi a CP da Saúde, que investigaria a eventual responsabilidade do prefeito em irregularidades no serviço público municipal de saúde.
Colaborou Euclides Lucas Garcia.



