
Para desistir de concorrer ao governo do estado e se aliar com o PSDB, o senador Osmar Dias (PDT) só depende de um sim da executiva nacional pedetista. Na quinta-feira, o diretório estadual do partido enviou um fax para a executiva nacional, na qual solicita autorização para fazer "coligação com o PSDB". A carta é assinada pelo senador Osmar Dias e pelo presidente do partido no Paraná, deputado Augustinho Zucchi. Se aprovado pela cúpula nacional, o acordo une PDT e PSDB, colocando Osmar como candidato à reeleição no Senado e Zucchi como vice do pré-candidato Beto Richa.
O presidente em exercício do PDT, Manoel Dias, confirmou à reportagem da Gazeta do Povo que recebeu o documento, mas diz que não iria antecipar nenhuma posição: "Vamos nos reunir segunda-feira para analisar isso".
Apesar da carta, o senador Osmar Dias voltou a negar que tenha fechado um acordo com o PSDB. Ele afirmou ontem que a carta é apenas "uma consulta". "Não estou decidindo se compro um pirulito na esquina, estou decidindo o futuro de um estado. O que eu fiz foi uma consulta. Não posso decidir nada sozinho. Esse partido [PDT] decidiu que a executiva nacional precisa ser consultada. Não tem nada decidido", disse Osmar.
A candidatura do senador ao governo do estado ganhou força ao longo da semana, depois de uma série de conversas com o governador Orlando Pessuti (PDMB). Na quinta-feira, em Cascavel, Pessuti admitiu a possibilidade de abrir mão da sua candidatura e, dessa forma, garantir um palanque único para a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff. Ontem, em entrevistas para rádios da região Oeste, Pessuti negou a desistência.
Segundo Osmar, o peemedebista teria prometido ligar novamente nos últimos dias, o que não ocorreu. "Ele [ Pessuti] é um brasileiro. Não desiste nunca", observou.
Na prática, a palavra final sobre o pedido final do PDT paranaense caberá ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que está em viagem oficial pela Europa. Presidente licenciado do partido e homem de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lupi já teria alertado Osmar sobre a dificuldade de um entendimento com os tucanos. "Na opinião dele essa aliança seria problemática", diz Osmar.
Histórico
Derrotado pelo ex-governador Roberto Requião nas eleições de 2006 por uma diferença de 10 mil votos, Osmar saiu da disputa de quatro anos atrás como pré-candidato ao governo em 2010. As alianças formadas em 2006, porém, foram sendo minadas. Com a polarização nacional entre PSDB e o PT, obter o apoio tucano e dos Democratas em âmbito estadual tornou-se inviável.
Além disso, Osmar enfrentou o impasse de um possível confronto familiar, já que seu irmão, o senador Alvaro Dias (PSDB) colocou-se como pré-candidato do PSDB. Alvaro teve o nome preterido e o então prefeito de Curitiba, Beto Richa, foi aclamado como pré-candidato tucano.
Do outro lado, Osmar não conseguia firmar seu palanque dos sonhos no Paraná. O senador pretendia ter Gleisi Hoffmann, ex-presidente estadual do PT, como vice. Gleisi, por sua vez, não abriu mão de disputar o Senado. As conversas com Pessuti, que se aceleraram apenas na semana que passou, teriam ocorrido tarde demais para a composição de uma chapa.
O fato é que, sem alianças, Osmar já declarou que não sai candidato. "Não vou levar meus correligionários para o abismo", disse, durante evento político realizado no restaurante Madalosso, em Curitiba.
Apesar da indecisão, Osmar aparece próximo a Beto Richa na última pesquisa de intenção de voto para o governo de estado. De acordo com o Vox Populi, Osmar tem 33% das intenções de voto, contra 40% de Beto. A margem de erro da pesquisa é de 3,7 pontos porcentuais, para mais ou para menos. A pesquisa divulgada em 18 de maio ouviu 700 pessoas entres os dias 8 e 12 de maio e perguntou aos entrevistados: "Se a eleição fosse hoje, em qual destes candidatos você votaria?".
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o Protocolo 11.322/2010. No Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o Registro é o 9.210/2010.








